A energia da Volkswagen

O carro elétrico ainda não chegou por aqui, mas a montadora alemã já investe em geração de energia. Entenda esse jogo.

O Brasil já desponta como a quinta maior potência do mundo quando o
assunto é energia renovável. Em 2010, por exemplo, foram investidos US$ 7
bilhões em projetos de geração de eletricidade nas modalidades
hidráulica, eólica e solar, de acordo com estudo recém-divulgado pela
Organização das Nações Unidas (ONU). Um detalhe, no entanto, chama a
atenção. No passado, o governo e as concessionárias de energia dominavam
a cena. Agora, diversos desses empreendimentos vêm sendo tocados sob
encomenda de empresas do setor industrial. O objetivo é simples:
garantir parte do suprimento energético para uso próprio. Esse é o caso
da subsidiária da alemã Volkswagen. No começo de dezembro, a direção da
montadora anunciou investimento de R$ 160 milhões para instalar uma
Pequena Central Hidrelétrica (PCH) no rio Sapucaí, entre as cidades de
Ipuã e Ituverava, no interior de São Paulo.

Opção Verde: O diretor Isensee comanda projeto para investir
R$ 160 milhões na construção de uma hidrelétrica

Chamado de PCH Monjolinho, este é o segundo investimento da montadora na
área. O primeiro foi a PCH Anhanguera, situada a 25 quilômetros de
distância da nova usina, que começou a funcionar em 2010 e custou R$ 150
milhões. A entrada em operação da PCH Monjolinho, prevista para
meados de 2014, vai garantir 40% de toda a energia utilizada pela
companhia no Brasil.
Hoje, esse patamar está em 20%. “Essas
usinas nos permitirão assegurar uma tarifa adequada e o suprimento
energético necessário para bancar nosso crescimento”, diz Carsten
Isensee, vice-presidente-financeiro e de estratégia corporativa da
Volkswagen do Brasil. Com uma potência instalada total de 48 megawatts, o
suficiente para abastecer uma cidade de aproximadamente 100 mil
habitantes, as duas PCHs colocarão a subsidiária da Volkswagen como uma
das “mais verdes” da corporação nesse quesito. Quando a nova
hidrelétrica entrar em operação, a montadora aumentará de 86% para 91% o
montante de energia renovável usada em suas operações locais.

“Depois da Alemanha, o Brasil é o país no qual nossas apostas nessa área
são mais fortes”, afirma Isensee. Em seu país de origem, os programas
de conversão de sua matriz energética, de termelétrica a carvão para
hidroeletricidade, já custaram € 500 milhões. Apesar de serem menos
complexas que uma usina de grande porte, as PCHs também são obras
delicadas do ponto de vista econômico e social. Por conta disso, é
preciso contar com licenças ambientais, além do aval dos órgãos que
regulam o setor energético. As usinas da Volkswagen no Brasil são
operadas pela Pleuston Serviços, de São Paulo, detentora das licenças
para a exploração do potencial energético dos rios da região e sócia dos
empreendimentos. A obra da PCH Monjolinho deverá mexer com os
municípios de Ipuã e Ituverava.

“Vamos gerar 700 empregos diretos em uma região que não conta com
indústrias intensivas de mão de obra”, diz Isensee. Pelo lado ambiental,
a ideia é repetir o que foi feito durante a construção da PCH
Anhanguera. O pacote incluiu o reflorestamento de 120 hectares de mata
ciliar, a catalogação de espécies nativas de animais e plantas e a
construção de um viveiro capaz de produzir 300 mil mudas por ano. Serão
gastos R$ 8 milhões em ações ambientais e sociais na região. Do
ponto de vista econômico, a Volkswagen também terá outro ganho com esses
empreendimentos: a venda dos créditos de carbono gerados pela melhora
de sua pegada ecológica.
As duas usinas podem render, em média,
40 mil toneladas de carbono equivalente por ano. O pedido de emissão de
certificados já foi protocolado na ONU e a expectativa é de que ele
seja aprovado em 2012.

Por: Rosenildo Gomes FERREIRA
Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro

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