Carro elétrico chega no Brasil em 5 anos

Os carros totalmente elétricos estão no Brasil, mas os consumidores ainda não têm acesso aos veículos
ecologicamente corretos. Existem travas no País que seguram o
desenvolvimento desse tipo de transporte. Mas os executivos das
montadoras que dominam a tecnologia estão otimistas. A expectativa é que
o País terá modelos nas concessionárias para a classe A e B em cinco
anos. E que até o fim da década os elétricos atingirão os preços
populares.

Nesta semana, a tecnologia
entrou nas ruas da Região Metropolitana. A montadora Nissan do Brasil
fechou parceria com a Prefeitura de São Paulo e com a concessionária AES
Eletropaulo para testar dois modelos Nissan Leaf na Capital.

Na segunda-feira, dois taxistas
rodarão com os veículos, totalmente elétricos, cuja autonomia da bateria
é de 160 quilômetros. Será um laboratório. A montadora pretende
entender quais são os detalhes que o motorista e o trânsito brasileiro demandarão de um carro elétrico.

No entanto, as ruas ainda não terão
consumidores pilotando essas maquinas. “Já temos uma grande lista de
espera, mas não vendemos ainda no País”, diz o diretor de Marketing da
Nissan do Brasil,
Carlos Murilo Moreno. Isso porque além de não haver postos com
equipamentos para carregar a bateria dos veículos, não há políticas
públicas para trazer o carro para o Brasil.

A Mitsubishi também está ativa na batalha
para trazer esse e tipo de veículo ao País. A montadora tem dois modelos
iMiev para exposição aos clientes brasileiros. O carro movido
totalmente a eletricidade, que conta com o diferencial de poder ser
carregado em tomada comum, da parede da garagem de casa por exemplo,
também para no muro de falta de incentivos e infraestrutura. Mas as
barreiras vão durar pouco tempo, estima o diretor de Engenharia e
Planejamento da Mitsubishi, Reinaldo Muratori. “Não dá para lutar com o
resto do mundo. Quando for realidade em outros países desenvolvidos, o
Brasil acabará acompanhando”, argumenta.

Muratori cita alguns empecilhos, como o
grande estímulo ao consumo do etanol. E lembrou que o ministro do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, se
encontrou com executivos das montadoras Hyundai, Mitsubishi, Nissan e
Toyota, na semana passada, para falar somente sobre desenvolvimento de
tecnologia de carros híbridos (movidos a etanol e energia elétrica).
“Para o carro elétrico, até agora só existe um projeto de lei do
deputado de Tocantins Irajá de Abreu (DEM). O texto pretende dar
incentivo à fabricação e utilização dos veículos no País”, pontuou.

O projeto, que contou com colaboração das
montadoras que têm a tecnologia, tramita no Congresso. Em abril, foi
aprovado pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

O especialista em mercado automobilístico e
diretor da ADK Consultoria Automotiva, Paulo Roberto Garbossa, avalia
que além de incentivos do governo, a entrada do carro elétrico no País
exige uma aceitação do mercado e adequação às características
brasileiras. Mas opinou que a tecnologia será uma verdade em terras
brasileira. “É necessário mais uma alternativa de meio de transporte. Se
acontecer uma crise da gasolina, o preço do etanol subir muito, nós só
temos o gás como opção hoje.”

Falta de regulamentação barra carregadores
A infraestrutura brasileira para receber os
veículos elétricos ainda é um problema. Hoje, apenas as companhias
elétricas estão liberadas para vender energia desse tipo. Um
proprietário de posto de gasolina, por exemplo, não poderá instalar um
carregador em seu estabelecimento. “É necessário ainda que a Aneel
(Agência Nacional de Energia Elétrica) crie regulamentação para isso”,
explicou o vice-presidente de Operações e Comercial da AES Eletropaulo,
Sidney Simonaggio. A equipe do Diário entrou em contato com a Aneel para
falar sobre o assunto, mas não teve resposta.

Outro ponto que pode atrapalhar o
desenvolvimento da infraestrutura para os carros elétricos no País é o
valor do investimento para a instalação de um carregador e o tempo de
retorno.

Simonaggio calcula que apenas o equipamento
de recarga, que ainda é um projeto piloto no Brasil, exige aporte de
aproximadamente R$ 70 mil. “Mas com o passar do tempo esse preço deve
cair. O que não deve mudar é o valor para adequar a recepção de energia
do posto de combustível. Neste caso, seria necessário mais R$ 30 mil”,
explicou.

E recuperar R$ 100 mil com recargas com
preço final de R$ 7, para encher a bateria desses carros elétricos, pode
ser pouco demorado para estrutura financeira de alguns
estabelecimentos.

Montadoras esperam incentivos do governo
As barreiras tributárias deixam os carros
elétricos com preços superiores a carros que já estão na categoria de
luxo. O diretor de Marketing da Nissan do Brasil diz que o Leaf é
vendido por, no mínimo, US$ 25 mil nos Estados Unidos, cerca de R$ 50
mil no câmbio de sexta-feira, e hoje, chegaria ao Brasil por mais de R$
200 mil. Por outro lado, o diretor de Engenharia e Planejamento da
Mitsubishi, Reinaldo Muratori, estimou que o iMiev, que já custa cerca
de US$ 22 mil (R$ 44 mil) nos EUA, entraria no mercado brasileiro
atualmente por mais de R$ 250 mil.

“A grande trava para o elétrico entrar no
Brasil é a falta de política governamental de incentivo”, criticou o
consultor do setor automobilístico Ayrton Fontes. Mas em cerca de cinco
anos, os executivos das montadoras acreditam que os veículos serão
comercializados no Brasil por cerca de R$ 80 mil, isso considerando que o
governo criará vários mecanismos de incentivo.

A Fiat, em parceria com a Itaipu Binacional e
a controladora de hidrelétricas suíças Kraftwerke Oberhasli, foi uma
das pioneiras no País a colocar um carro elétrico em atividade, quando
assinou o contrato de intenções em 2004 para o Projeto VE. Ele consiste
em um Pálio totalmente elétrico que é utilizado nas dependências da
usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Por enquanto o projeto se limita ao local.
“A tecnologia da bateria ainda é muito cara. Ainda não é viável
economicamente”, afirmou o presidente da Fiat no Brasil, Cledorvino
Belini.

PREÇO BAIXO
Mesmo com todas as barreiras, o preço que o consumidor pagará pelo combustível elétrico vai pesar bem menos no bolso.

Estimativa da AES Eletropaulo revela que o
abastecimento máximo do Nissan Leaf, por exemplo, custa hoje R$ 7,11,
lembrando que o tempo de recarga do motor pode ser uma desvantagem,
tendo em vista que demora em média seis horas. Esse é o valor para que o
motorista percorra 160 quilômetros com o carro. “É o suficiente para ir
até Santos e voltar”, destacou o consultor do mercado de veículo Paulo
Roberto Garbossa.

Para percorrer a mesma distância, os 160
quilômetros, com etanol a R$ 1,79 por litro, o motorista gastaria hoje
R$ 33,70, acréscimo de 373% sobre o custo com energia elétrica. Na mesma
comparação, mas utilizando gasolina a R$ 2,79 por litro, o gasto seria
de R$ 39,25, ou seja, 452% mais.

Por: Pedro Souza
Fonte: Diário do Grande ABC

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