Consumidores esperam mais dos carros elétricos além das suas capacidades

50% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por um VE do que fariam por um veículo a gasolina ou a diesel.

A Deloitte acaba de concluir um estudo de opinião dos consumidores
relativamente aos carros elétricos e descobriu que os consumidores em
todo o mundo percebem que estes não têm autonomia suficiente para fazer
face às suas necessidades, além de que demoram muito tempo a carregar e
são muito caros. O estudo da Deloitte focou-se em veículos
exclusivamente eléctricos e não avaliou qualquer híbrido disponível
atualmente no mercado.

O estudo incidiu sobre 13.000 pessoas em 17 países nas Américas, Ásia e Europa.
Nos Estados Unidos cerca de metade dos entrevistados disseram que
seriam “pioneiros” no que diz respeito à compra de um veículo elétrico
(VE) ou “estariam dispostos a considerar” a compra de um VE. No entanto,
em todo o mundo, incluindo nos EUA 85% dos entrevistados disseram que
autonomia, o tempo de carga e o preço são “factores muito importantes” 
na hora de comprar um carro.

“O paradoxo aqui é que a tecnologia atual voltada para o mercado de
massa consegue oferecer normalmente uma autonomia de cerca de 160km
entre cargas, o que representa o dobro do que um americano típico conduz
diariamente no seu percurso para o trabalho. No entanto, por alguma
razão, a capacidade de 160km ainda é inaceitável para a maioria dos
consumidores, eles querem pelo menos 480km entre cargas”, referiu Craig
Giffi, chefe de práticas automóveis na Deloitte.

Outro dos desejos dos americanos relativamente aos VE é a redução do
tempo de carregamento. O tempo de carregamento abaixo de duas horas foi
desejado por 58% dos americanos entrevistados enquanto que 23% queriam
um tempo de carregamento igual ou inferior a 30 minutos. Apesar do VE
médio levar 8 horas a carregar, esta situação foi vista como aceitável
por uma minoria de compradores.

Em todo o mundo, 50% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por
um veículo eléctrico do que fariam por um veículo a gasolina ou a
diesel, mas esse número foi de 35% entre os americanos. Regionalmente,
os compradores chineses estão mais dispostos a pagar mais com 44% a
dizerem que o fariam. No Reino Unido e na Bélgica 29% dos entrevistados
disseram que estariam dispostos a pagar mais por um VE.

Parece que o custo de comprar um veículo elétrico não foi compreendido
em muitas regiões. Em 11 dos 17 países, metade ou mais dos entrevistados
achavam que estes carros deveriam custar cerca de 16 mil euros ou
menos. Os EUA parecem aceitar melhor e 78% referiu que os veículos
elétricos devem custar cerca de 24 mil euros ou menos.
Um problema que a disseminação dos veículos elétricos tem encontrado é a
melhoria da economia de combustível dos motores de combustão interna.
No caso de veículos com consumo de 4,7l/100km, 57% dos inquiridos na
China e 68% nos EUA admitiu que estariam significativamente menos
dispostos a comprar um carro elétrico.

“Por enquanto, a disseminação em massa de veículos elétricos é mais
provável de ocorrer em países que estejam dispostos e aptos a assumir
uma abordagem política agressiva que incentiva e subsidia o mercado. E
no mundo de hoje, com tantos desafios da dívida soberana, é muito
provável que seja um caminho menos adoptado”, referiu Giffi.

Fonte: Autoviva Portugal

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