Ainda vamos continuar atrasados

O decreto 7.819/2012 do Governo Federal, que regulamenta o Programa de
Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de
Veículos Automotores, precisaria ser muito melhor para que o Brasil
tivesse carros menos poluentes e econômicos como os do mercado
internacional.

Enquanto
o mundo exige padrões mais rígidos de combate à poluição e às emissões
de gases de efeito estufa, o governo brasileiro cedeu às pressões das
montadoras e perdeu a oportunidade de exigir a produção de carros menos
poluentes e econômicos em linha com o mercado internacional. Editado
nesta quinta-feira, o decreto 7819 de 03 de outubro de 2012 cria padrões
voluntários de eficiência energética de motores no novo regime
automotivo Inovar-Auto.

Os maiores mercados de carros do mundo já adotaram medidas
obrigatórias de eficiência energética há pelo menos três décadas
enquanto o Brasil apenas agora começa a estabelecer padrões, mesmo assim
voluntários e mais frouxos. Para as montadoras receberem um desconto de
30% do IPI, os veículos produzidos no Brasil devem em 2017 emitir em
média 136 gramas de dióxido de carbono (CO2) por quilômetro (equivalente
a 15,93 Km por litro de gasolina), ao invés da média atual de 155
gramas (14 Km/l). O CO2 é o principal gás responsável pelo efeito
estufa.

Parece bom, mas dava para ser ainda melhor, já que o padrão
brasileiro a ser alcançado daqui a 5 anos ainda é maior que a média
atual na Europa, 130 gramas de CO2/Km (equivalente a16,6 Km/l), e com a
obrigação de se chegar a 95 gCO2/Km em 2020. Ou seja, mesmo em 2017,
data limite colocada pelo novo decreto, o Brasil vai continuar atrasado e
sem perspectiva de aumentar eficiência dos motores após este período.

Hoje, o setor de transportes brasileiro ocupa o segundo lugar em
termos de emissões de CO2.  Mesmo com a implementação de motores mais
econômicos, o segmento continuará sendo uma das principais fontes de
emissões do país e coloca em dúvidas nossa capacidade de se atingir a
nossa meta voluntária de redução de gases de efeito estufa.

Apesar de já existirem soluções, as mesmas montadoras que investem na
fabricação de carros menos poluentes na Europa e no Japão ainda
resistem em utilizar essas tecnologias no nosso mercado, considerado o
4o mercado mundial em vendas de carro.

O novo regime automotivo do governo brasileiro não reduzirá a emissão
de poluentes como deveria e ainda não nos coloca em linha com outros
mercados. Além disso, impõe perdas ao bolso da população uma vez que
menor eficiência nos motores representa também mais gastos na compra de
combustível na bomba. Hoje um carro na mesma categoria mais econômico
representa uma economia de R$ 5 mil em cinco anos com um carro mais
beberrão.

A medida adotada pelo governo ocorre após meses de regalias fiscais
concedidas às montadoras. Segundo cálculos do próprio governo, R$ 1,1
bilhão por ano deixará de ser arrecadado com a desoneração do setor
automotivo. As últimas medidas adotadas pelo governo continuarão fazendo
com que milhões de novos carros cheguem nas ruas pelos próximos anos
causando mais congestionamentos, poluição e sem garantir inovação
tecnológica ao setor, tão necessária no combate às mudanças climáticas.

Fonte: Greenpeace

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