Carro elétrico: Uma moda que ainda não pegou

Ele era apontado como o veículo do futuro. Até agora, não decolou. Para alguns, sua hora ainda
chegará. Para outros, jamais será um sucesso

Logotipo do carro elétrico da Autolib pintado em uma estrada em Vaucresson, Paris (Charles Platiau/Reuters)

Tudo parecia perfeito para a mudança de paradigma. Preço da
gasolina nas alturas, consumidores mais engajados na presevação
ambiental, governos dispostos a investir em infraestrutura, pesquisa e
subsídios e montadoras ávidas por incrementar as vendas. Mas,
diferentemente do que previam especialistas e visionários no começo do
século XXI, o renascimento dos carros elétricos está cambaleante. O alto
preço, a complexidade das recargas e a incerteza quanto à autonomia e
segurança dos modelos já lançados inibem os consumidores. Em 2011, menos
de 50.000 veículos totalmente elétricos saíram das concessionárias,
abaixo de todas as expectativas. A consultoria Frost & Sullivan, por
exemplo, apostava num mínimo de 72.000. Já os modelos híbridos – que
também possuem motores à gasolina – estão em viés de alta. Já somam 4,5
milhões em meio à frota mundial de 1 bilhão de veículos. Mesmo assim,
estima-se que só 2% dos carros vendidos por todo o mundo, atualmente,
são elétricos. Muito pouco diante das previsões otimistas de 20% do
mercado internacional em 2020.

Entusiastas acreditam que os obstáculos só fortalecem a nova
tecnologia, que seria, sem dúvida, o futuro do mercado automobilístico.
Os mais céticos e críticos, no entanto, acreditam que se trata de uma
“moda” passageira. “No mundo inteiro as montadoras se distanciam da
tecnologia dos carros elétricos por ela ser muito cara. Além disso, é
possível desenvolver motores menores, com alta performance, como é o
caso das tecnologias híbridas – que reduzem consumo e emissão de gases
poluentes”, diz Stephan Keese, sócio diretor da consultoria Roland
Berger. Por enquanto, as montadoras encaram o segmento como mercado de
nicho. No exterior, celebridades e artistas como Arnold Schwarzneger e
John Travolta ajudam a construir a reputação dos carros mais ecológicos.
Na contramão, entre os brasileiros, o que faz sucesso são o carrões.
Segundo a Fenabrave, a federação das concessionárias, o emplacamento de
SUVs, do inglês veículo utilitário esportivo, cresceu 74% em quatro
anos, superando a categoria tradicional dos sedãs médios. A seguir, o
site de VEJA responde às dez principais perguntas sobre ao futuro dos
elétricos.

O carro elétrico é realmente o carro do futuro?
Sim, mas talvez ainda não do presente. A maioria dos analistas acredita
que enquanto não foram destadas os principais nós dessa tecnologia,
principalmente autonomia e preço, os consumidores ainda vão hesitar em
aderir à novidade. A previsão média é de que, em 2020, 8% dos carros
vendidos, no mundo, sejam elétricos. Os mais otimistas prevêem 20%. Mas
há quem aposte apenas em 3%. 

“Prever os primeiros estágios é sempre
difícil. Mas uma coisa é clara, há ainda pouco consenso”, diz o
engenheiro britânico Peter Young, da empresa de pesquisa Arup Advanced
Technology. Segundo ele, os consumidores estão na espera da mais
infraestrutura de recarga para fazer opção pelo carro elétrico, mas os
governos esperam mais consumo antes de investir nessa infraestrutura.

“Trata-se de um problema no estilo ‘o ovo ou a galinha’, ou nesse caso,
‘carros e pontos de recarga’, diz Young. 

Tudo isso põe em dúvida a
visão do presidente americano Barack Obama, que, em discurso perante o
Congresso, em 2011, profetizou 1 milhão de elétricos dos Estados Unidos
nas ruas já em 2015 (número alto, mas ainda minúsculo perante a frota de
250 milhões de carros nos EUA). Recentemente, porém, o Instituto Pike,
do Colorado, previu, em estudo, que essa meta não deve ser alcançada até
pelo menos 2018.

“Há pouca evidência de que algum progresso acontecerá
a um nível significativo nos próximos cinco ou seis anos. Os que
apostavam num aumento dramático de vendas esperavam que o preço das
baterias caísse rapidamente a partir de um boca-a-boca positivo que se
espalhasse pelos produtores, que introduziriam novos modelos mais
rapidamente. Se enganaram”, afirma a pesquisa do Instituto Pike.

Veja a matería completa em: VEJA.com

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