Falta de incentivo e carga tributária inviabilizam carro elétrico no Brasil

Modelo a bateria é sete vezes e meia mais econômico que a gasolina.
No Brasil, apenas 70 foram emplacados, quase todos por empresas.

No último ano do governo Lula, mais precisamente no dia 25 de maio de
2010, o auditório do Ministério da Fazenda em Brasília estava lotado de
empresários, representantes do setor automobilístico e jornalistas para o
anúncio oficial do que seria a primeira política pública do país para
carros elétricos.

Para surpresa geral, o evento foi cancelado em cima da hora porque o
Presidente Lula “desejava conhecer melhor o projeto”. Reportagens da
época revelaram que a solenidade seria presidida pelo Ministro da
Fazenda Guido Mantega, ao lado dos ministros da Indústria e Comércio
Exterior, Miguel Jorge, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Entre
outras medidas, o programa previa a redução de impostos para veículos
elétricos e a criação de um centro de desenvolvimento de tecnologia.

Pois bem lá se vão quase três anos e nenhuma política para o setor foi
anunciada até agora. A razão é desconhecida. Para quem acompanha a
evolução tecnológica dos carros elétricos (híbridos ou a bateria) mundo
afora, há motivo de preocupação. Ficamos para trás e não há ainda
perspectiva de que essa situação comece efetivamente a ser revertida.

O carro elétrico híbrido (com motor a combustão ligado a um motor
elétrico) já é realidade no competitivo mercado automobilístico
internacional, com mais de quatro milhões de unidades vendidas. Este
tipo de carro faz mais de 20 quilômetros com um litro de gasolina nas
cidades e virou febre no Japão, onde, de cada dez veículos vendidos, um é
híbrido.

A outra versão de carro elétrico é movida a bateria, com emissão zero
de poluentes ou ruídos, e com autonomia de até 160 quilômetros, o que
atenderia com sobras à demanda da maioria absoluta dos motoristas que
andam de carro nas cidades. A recarga convencional, usando-se uma tomada
qualquer, consome pelo menos seis horas de espera.

Nos postos de recarga rápida (solução tecnológica já disponível e
presente em países onde há políticas públicas de incentivo ao uso de
elétricos), esse tempo cai para apenas meia hora. O consumo de energia
equivale a de um chuveiro elétrico, mas, na comparação com um carro
convencional a gasolina, o modelo movido a bateria é sete vezes e meia
mais econômico.

Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos, já existem
aproximadamente 200 mil unidades circulando pelo mundo. No Brasil,
apenas 70 foram emplacadas, sendo que maioria absoluta (68) foi
adquirida por empresas.

O maior problema é a elevada carga fiscal que incide sobre carros
elétricos a bateria. Enquanto os híbridos importados são taxados
praticamente como carros convencionais (as alíquotas variam de acordo
com o tamanho do dispositivo elétrico de cada motor), com preço final de
aproximadamente R$120 mil, os modelos a bateria sofrem com a
sobreposição de impostos que inviabilizam a compra.

Por exemplo: um modelo esportivo japonês sem nenhum luxo ou acessório
sofisticado paga 120% de impostos para entrar no país. Com o preço final
de aproximadamente R$ 200 mil, o modelo acaba virando objeto de
decoração nas concessionárias.

Em todos os lugares do mundo onde os carros elétricos a bateria
chegaram com força, houve contrapartidas fiscais dos respectivos
governos. Isso se justifica pelos benefícios ambientais (emissão zero de
poluentes e ruído) que reduzem custos indiretos na área da saúde.

É evidente que a melhor solução para a mobilidade urbana são os meios
de transportes públicos de massa eficientes, baratos e rápidos. No país
em que a frota automobilística se expande em progressão geométrica,
porém, elevando a emissão de poluentes e a necessidade de o governo
importar gasolina, com efeitos colaterais importantes sobre a economia, é
bem-vindo o debate sobre carros elétricos.

Por: André Trigueiro
Fonte: Jornal da Globo

2 comentários em “Falta de incentivo e carga tributária inviabilizam carro elétrico no Brasil

  • 08/02/2013 em 18:25
    Permalink

    Porque será que não "emplacou" ainda o carro elétrico? Adivinhem porque? Se pensar um pouquinho só, vai chegar a uma única conclusão: "Corrupção". É isso aí. Com a entrada de carros deste tipo em nosso Brasil, diminuiria em muito os "rombos" nos cofres públicos… Gasolina, álcool é mais "rentável" para os grandalhões corruptos do nosso país. Daí, impostos de importação altíssimos e totalmente sem nexo.

    Adilson Affonso – Ar Condicionado Automotivo

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *