Carro Elétrico: Brasil está com 10 anos de atraso, afirma presidente da Renault

Presidente da Renault no Brasil, Olivier Murguet, na UniBrasil em Curitiba (PR)

Em evento para o público universitário, promovido esta semana pela UniBrasil, em Curitiba (PR), o presidente
da Renault, Olivier Murguet, destacou a preocupação da montadora com a
redução da emissão de poluentes e afirmou que, apesar de já ser
realidade na Europa, os veículos elétricos ainda precisam de incentivo
fiscal para serem viáveis no Brasil.

A Renault é uma das montadoras que mais investem na mobilidade elétrica na Europa.
Segundo Murguet, foi investido 1 milhão de Euros para desenvolver uma
tecnologia de carros elétricos para todos e a marca francesa tem hoje
quatro modelos comercializados na Europa: o Fluence, o Kangoo, o Twizy e
o Zoe.

Alemanha, Itália e Espanha e Portugal estão entre os países que mais investem na
mobilidade elétrica. Em Lisboa, a Renault montou uma rede de postos de
abastecimento rápido para atender o consumidor. Criou também uma rede de
atendimento onde o motorista leva o carro com a bateria descarregada e a
substitui por uma carregada, evitando a perda de tempo com o
reabastecimento e resolvendo o problema de autonomia – um dos gargalos
do carro elétrico.

“No Brasil, esse modelo é ainda mais interessante porque mais de 80% da
energia elétrica é limpa, produzida por centrais hidroelétricas”,
ressaltou Murguet. “Eu gostaria que fosse em breve, mas nossa
expectativa é que daqui dez anos os carros elétricos sejam realidade por
aqui também”, afirmou. O presidente assegurou que as conversas em nível
ministerial sobre o lançamento do carro elétrico no Brasil estão evoluindo, mas, por enquanto, não há nada de concreto.

Segundo Murguet, os encargos fiscais praticados atualmente, no Brasil,
inviabilizam totalmente a comercialização. “O consumidor quer carros que
emitem menos, mas quer pagar por esse carro o mesmo preço que paga nos
outros, o que eu acho normal. Se o governo retirar todos os impostos do carro elétrico, ele pode ser viável
comercialmente, pois vai custar o preço de um carro com motor a diesel”,
disse o presidente, comparando com os preços praticados na Europa. Em
alguns países europeus o elétrico tem, além de isenção tributária, um
bônus do governo de 5 mil Euros.

Para o executivo, o programa de introdução do carro elétrico no Brasil
deveria começar por frotas, como a dos Correios – e não pelo consumidor
comum. “A frota dos correios tem um uso bastante específico e exatamente
com as características do uso de um veículo elétrico, isso é, um raio
de ação limitado, essencialmente urbano, não roda à noite (período que
pode ser usado para carregar as baterias), e atua onde a emissão de
poluentes é mais crítica”, defendeu Murguet.

Ao contrário de outras montadoras, que apostam no carro híbrido (que usa
um motor a combustão e outro elétrico), a Renault está investindo no
carro com emissão zero, considerando o sistema elétrico puro mais
eficiente e mais apropriado para as necessidades do futuro. “Queremos,
um dia, ser líder entre os clientes que não querem emitir CO2 na
atmosfera. Por isso escolhemos o elétrico e não o híbrido”, revelou o
executivo.

O plano da montadora, chamado de “Renault Drive The Change”, estabelece a
meta de reduzir em 10% as emissões de CO2 de todo o portfólio da marca
até o fim do ano. Atingido o objetivo, a meta seguinte é reduzir mais
10% até 2016.

Fonte: Paranashop

Um comentário em “Carro Elétrico: Brasil está com 10 anos de atraso, afirma presidente da Renault

  • 07/03/2013 em 20:14
    Permalink

    Parabéns Renault.
    Vamos pressionar os políticos a prezarem um pouco pelo meio ambiente.
    William Ramos

    Resposta

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