Enfim, o Carro Elétrico

Diretor-Presidente da ABVE comenta sobre a iniciativa da instalação de uma fábrica de carros elétricos no Brasil 

 A próxima construção de uma fábrica de carros elétricos em Rezende é
relevante para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Estado do
Rio de Janeiro, bem como do país. Sua produção será fundamental para
consolidar essa linha de veículos de alta eficiência, cujas vantagens,
tais como custos de utilização muito inferiores àqueles de carros
convencionais e baixos níveis de emissões prejudiciais ao meio ambiente,
a Associação Brasileira do Veículo Elétrico – ABVE vem divulgando.

Sendo carros a bateria será indispensável, para que parte expressiva da
sua produção seja utilizada no Brasil, que sejam instalados mais pontos
de recarga, tanto em locais de estacionamento demorado, como garagens
residenciais e comerciais, quanto junto às vias públicas, para fim
predominantemente emergencial, que reduzam a preocupação do usuário com a
possibilidade de exaurir sua bateria antes de ter chegado onde poderá
recarrega-la normalmente.

A par disso, a instalação da referida fábrica torna inadiável a clara
definição dos impostos que incidirão sobre essas veículos, em particular
o de seu IPI. Como este ainda não foi definido especificamente,
enquadram-se na categoria “Outros” cuja alíquota, de 25%, é um
desestímulo para eventuais compradores.

bb_bid = “1623559”;
bb_lang = “pt-BR”;
bb_name = “custom”;
bb_limit = “6”;
bb_format = “bbn”;

Apesar de seu reduzido impacto sobre o meio ambiente, principalmente num
país cuja energia elétrica provém majoritariamente de fontes
renováveis, não se prevê que sua participação na frota brasileira e
mesmo mundial venha a exigir grandes investimentos na oferta de energia
elétrica nos próximos anos. Nos Estados Unidos os carros elétricos
constituem agora cerca de 4% das vendas, sendo na maioria híbridos.
Carros somente a bateria começaram a ser produzidos em série há menos de
cinco anos e seu consumo é baixo: um carro particular consome cerca de 3
MWh por ano, o mesmo que um condicionador de ar de 1,5 HP. Todavia,
enquanto esse aparelho é usado também no horário de ponta do sistema
elétrico, a bateria do carro pode ser recarregada em períodos de menor
carga, como a madrugada. Para propiciar esse comportamento dos usuários,
que reduzirá a exigência de reforços das redes de distribuição de
energia, será necessário estabelecer tarifas diferenciadas e outros
mecanismos, preferencialmente automáticos. Para isso, os novos medidores
que embasarão as chamadas redes inteligentes terão papel relevante.

Por outro lado, a carga “veículo elétrico” apresenta diversas vantagens
sobre as demais: a recarga da bateria pode ser interrompida por alguns
minutos, a bateria pode ser utilizada como “no break” do consumidor
local e a energia armazenada pode ser parcialmente devolvida à rede
supridora, constituindo assim um fator de aumento da qualidade dos
serviços supridos pelas concessionárias de energia elétrica.

No momento em que se comemora a próxima produção de carros elétricos no
país, vale ressaltar o trabalho pioneiro, inclusive a nível mundial, da
produção nacional de ônibus elétricos híbridos. Cerca de quarenta destes
rodam normalmente no Estado de São Paulo, além dos que foram
exportados. Na reunião de presidentes do MERCOSUL realizada em Foz do
Iguaçu, em 2010, estes e suas comitivas foram transportados por um
ônibus híbrido acionado a etanol, demonstrando a viabilidade do uso
exclusivo desse combustível, sem emprego de aditivos, no transporte
urbano pesado.

A mobilidade urbana das próximas décadas não prescindirá dos veículos
elétricos, sejam eles a bateria ou híbridos, pois em maior ou menor
grau, vão contribuir significativamente para a redução da poluição, da
formação do efeito estufa e da dependência de combustíveis fósseis.
Carros a bateria de menor porte e peso contribuirão para reduzir a
capacidade, peso e custo das baterias necessárias para lhes
proporcionarem autonomias compatíveis com as necessidades da maioria dos
possíveis usuários.

Espera-se que este seja o início de um novo ciclo do setor automotivo,
em vista dos requisitos e implicações da utilização dos veículos
convencionais para o país.

Por: Pietro Erber
Fonte: ABVE

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