Mercado de veículo elétrico evoluiu e pode tornar nossas cidades mais inteligentes

João Carro Aderaldo é vice-presidente da Unidade de
Negócios Partner da Schneider Electric do Brasil

O Brasil é hoje uma das nações mais preocupadas com a pegada ambiental,
ou seja, o impacto que toda e qualquer ação deixa no planeta. Ocupa a
terceira colocação, atrás de Índia e China, em consumo consciente,
segundo a Greendex, que mede e monitora a preocupação dos consumidores
com questões relacionadas à sustentabilidade. O resultado expõe uma
grande contradição: a intenção de comprar produtos menos agressivos
ainda não se traduz em ação, pelo menos no que diz respeito a carros
elétricos. Enquanto há somente 70 unidades em circulação em todo o país,
a frota motorizada aumentou cerca de 77% nos últimos dez anos nas 12
das principais metrópoles brasileiras.

Os veículos elétricos são mais econômicos e ambientalmente mais
amigáveis do que os tradicionais. Com emissões nulas de gás e de
partículas e operação extremamente silenciosa, oferecem uma alternativa
promissora para o setor de transportes do futuro. Estudo realizado na
Europa apontou que o carro elétrico é mais sustentável que o veículo com
motor de melhor desempenho. Sabe-se que os meios de transporte
motorizados são hoje responsáveis por quase 25% da demanda mundial de
energia e contribuem em igual porcentagem para a emissão de gases de
efeito estufa. Esse quadro preocupa ainda mais quando lembramos que a
demanda de energia deve dobrar até 2050, enquanto as emissões de dióxido
de carbono precisam cair pela metade.

Obviamente, que vários fatores condicionam o sucesso dos veículos
elétricos e, no topo da lista, está a infraestrutura de recarga. A
segurança é, talvez, a maior preocupação dos consumidores – é possível
carregar os veículos em casa evitando riscos elétricos e outros perigos?
A resposta é sim. A indústria já evoluiu muito e os usuários de
veículos elétricos já contam com soluções inovadoras para gestão segura,
confiável e rentável da sua energia. Tanto é verdade que a Estônia, um
pequeno país báltico com pouco mais de 1 milhão de habitantes, foi o
primeiro a implantar uma rede nacional de recarga de carros elétricos. A
própria indústria automobilística tem ajudado a alavancar os serviços,
promovendo verificação da instalação elétrica da casa dos clientes,
assim como fornecimento e montagem do ponto para reabastecimento do
veiculo de forma a possibilitar mais segurança e rapidez do carregamento
das baterias, tanto em casa quanto no escritório.

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O investimento em smart grids também deve beneficiar a expansão do
mercado. Em todo o mundo, as redes de energia elétrica estão se tornando
mais complexas e menos estáveis. Para equilibrar a oferta e demanda, é
preciso tornar essa rede mais inteligente e conectada, o que possibilita
gerir de forma mais eficiente a demanda crescente, além de maximizar os
benefícios com custo e ambientais. Estima-se que o setor de energia
elétrica poderia cortar até 18% do uso de energia e, consequentemente,
as emissões de dióxido de carbono até 2030, ao adotar, de forma
agressiva, tecnologias mais inteligentes. Eficiência energética é um dos
grandes temas da atualidade e deve se tornar ainda mais importante com o
crescimento das cidades e o aumento da preocupação com o futuro.

As soluções de smart grid também facilitam a integração dos veículos
elétricos, principalmente no que diz respeito a custos, outra
preocupação dos consumidores, por permitir que o carregamento ocorra
fora dos períodos de pico, otimizando o processo, mitigando a
necessidade de estações de energia adicionais e de reforço na capacidade
de transmissão e sistema de distribuição para atender a uma carga
maior. Assim, também ajudam a minimizar as emissões de CO2 ocorridas na
geração de eletricidade.

Para o futuro, especula-se, ainda, que os carros elétricos poderão ser
usados como dispositivos de armazenamento de energia para distribuição,
isto é, será possível utilizar a energia elétrica disponível na bateria
para alimentar o sistema quando necessário ou até para uso no interior
da casa ou do escritório. Como ficam estacionados, em média, 95% do
tempo, esta seria mais uma alternativa para reduzir os custos do sistema
de energia elétrica, bem como os impactos no meio ambiente. Para o
sucesso deste segmento, será necessário investir ainda mais na
estabilidade do sistema e na diminuição de custos com energia.

Até 2015, cerca de 2,7 milhões de veículos elétricos ganharão as ruas
no mundo todo. Espera-se que o Brasil assuma uma posição condizente com a
importância que dá para a sustentabilidade. Tudo indica que, além de
políticas e incentivos públicos, falta hoje informação ao consumidor,
que certamente tem interesse em tornar a mobilidade urbana das nossas
metrópoles mais inteligente e sustentável, o que contribuirá
significantemente para a qualidade de vida dos seus cidadãos.

João Carro Aderaldo é vice-presidente da Unidade de Negócios Partner da Schneider Electric do Brasil
Fonte: Segs.com.br – Portal Nacional

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