Carros elétricos ainda são cercados de mitos no Brasil

Especialistas garantem: não faltará energia para abastecê-los; motores convencionais não vão sumir

Antônio Calcagnotto, da Aliança Renault-Nissan

No primeiro dia do Congresso de Veículos Elétricos, que
ocorre até 12 de setembro no pavilhão amarelo do Expo Center Norte, em
São Paulo, debatedores discutiram em um painel alguns mitos que cercam
os veículos movidos a bateria. O diretor de assuntos institucionais e
governamentais da Aliança Renault-Nissan e vice-presidente da Anfavea, Antônio Calcagnotto, listou nove desses mitos, como a possibilidade de apagão pela falta de energia para abastecer tantos carros.

Um cálculo apresentado pela Itaipu Binacional revela que o consumo de
energia no País subiria apenas 0,3% se 10% dos carros feitos anualmente
fossem elétricos. Outro ponto contestado pelo palestrante refere-se à
baixa autonomia, com base na informação de que os motoristas brasileiros
andam em média 57 quilômetros por dia: “Num veículo com motor a
combustão, ninguém roda até o tanque se esgotar. A mesma coisa ocorre
com os elétricos. Quem os utiliza inicia a recarga antes disso, o que
também reduz o tempo de reabastecimento”, disse Calcagnotto. Os
brasileiros rodam em média 57 quilômetros num dia útil.

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O executivo também descartou o desaparecimento dos motores de combustão
interna: “Eles continuarão sendo os ‘reis do pedaço’ por um bom tempo,
mas a aplicação de diferentes tecnologias terá cada vez mais espaço”,
afirmou. O presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico,
Pietro Erber, concorda com o ponto de vista: “Eles serão mesmo
utilizados ainda por muito tempo, especialmente nos veículos híbridos.”

O maior problema que afeta os carros elétricos e híbridos à venda no
Brasil é tributação elevada, que resulta em um preço final alto:
“Estamos vendendo um Prius por dia. O carro custa R$ 120 mil. Se
houvesse uma política de incentivos, esse valor baixaria para algo entre
R$ 90 mil e R$ 100 mil. Com esse preço daria para vender mil unidades
por mês no Brasil”, afirmou o gerente-geral de relações governamentais
da Toyota, Ricardo Bastos.

A Toyota apresentou ao governo, assim como a Renault-Nissan, um plano
que sugere o abatimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
em troca de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e
nacionalização do carro. “A intenção é ter essas tecnologias disponíveis
para o público. O preço vai se equalizar com a produção no Brasil”, diz
Bastos, que comemora no País 105 unidades do Prius rodando como táxis.
“E todos foram mesmo vendidos.”

“Com uma carga tributária reduzida, mais frotistas conseguiriam comprar
nossos carros, disse Calcagnotto”, referindo-se aos elétricos Renault e
ao Nissan Leaf. A cidade de São Paulo já tem dez Nissan Leaf (totalmente
elétricos) rodando como táxis. No Rio de Janeiro serão 15 unidades
cumprindo essa mesma função até o fim da semana. Outros foram entregues à
Polícia Militar.

Da Renault foram vendidos recentemente três modelos elétricos à CPFL,
um sedã Fluence, um hatch Zoe e um furgão Kangoo. “E vamos anunciar uma
grande venda nos próximos dias”, garantiu Calcagnotto.

Ele recorda que o CEO da Aliança Renault-Nissan, Carlos Ghosn, assinou
memorando de entendimentos com o governo do Rio de Janeiro para produzir
o pequeno Twizy, um carro de dois lugares. A Renault tentará
homologá-lo como “veículo compacto urbano”, categoria inexistente no
Brasil. Os veículos mais próximos a ele no País são os quadriciclos, que
não podem ser emplacados.

De janeiro até agosto foram emplacados no Brasil 321 automóveis
elétricos, um crescimento de mais de 300% em relação ao mesmo período de
2012.

Por: Mário Curcio
Fonte: Automotive Business

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