Após virar celebridade, táxi elétrico está com o futuro ameaçado

Nissan Leaf – Táxi SP

Cedidos há um ano e meio para divulgar a nova tecnologia
os dez táxis elétricos da capital paulista estão cumprindo muito bem o
papel de garoto-propaganda: até viraram celebridades no trânsito.

Mas tendem a desaparecer “da praça” em breve, segundo Ricardo Auriemma,
presidente da Adetax-SP (associação das empresas de táxis).

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O projeto-piloto se encerrará em mais um ano e meio e os veículos precisarão ser devolvidos ao fabricante.

“Se, até lá, o governo federal não criar uma política que contemple e incentive os carros ‘verdes’ [que podem rodar sem poluir], dificilmente algum taxista conseguirá comprar um carro desses para trabalhar”, diz Auriemma.

Hoje, por não ter classificação específica, o carro elétrico entra no grupo dos automóveis mais potentes (com motor acima de 2,0 litros) e paga 25% de IPI sobre seu preço- cerca de três vezes mais que o dos 1.0 flex.

Assim, um Nissan Leaf como o usado pelos taxistas custaria mais de R$
200 mil. Nos EUA, o elétrico mais vendido do mundo sai pelo equivalente a
R$ 50 mil.

Esse é um dos motivos pelos quais nenhuma montadora iniciou ainda a
comercialização de elétricos no país, salvo algumas unidades entregues
para empresas em caráter experimental.

Uma grande frota também exigiria uma rede de postos de recarga. A
Eletropaulo instalou cinco deles pela cidade para atender os taxistas do
programa, como Alberto de Jesus, 53.

“As baterias permitem autonomia de aproximadamente 120 km e sempre
preciso parar uma ou duas vezes no dia para recarregá-las. Cada
abastecimento demora 30 minutos”, calcula o pioneiro, que costuma negar
corridas longas.

“Interessante é que muitos pegam o táxi só para tirar fotos ou conhecer
a tecnologia. Teve um que me pagou para rodar com ele o dia inteiro.
Tive de mostrar o carro para todos os amigos do cliente.”

CHOQUE
O Leaf não faz barulho e tem painel de nave espacial. Nele, os
ocupantes conseguem acompanhar as interações eletrônicas entre o motor e
as baterias. Toda vez que o pedal do freio é acionado, por exemplo, a
autonomia aumenta -um sistema transforma o calor dissipado nessa
situação em energia.

Tanta tecnologia também assusta alguns passageiros. “Teve um ocupante
que avistou uma poça de água na rua e ficou apavorado, achando que, se o
veículo fosse molhado, poderia dar choque”, gargalha o taxista, que
passa o dia propagando a tecnologia.

Jesus não gosta de pensar no dia em que precisará trocar o Leaf por um
carro flex. Relatório dos taxistas apontam que o custo para rodar com
energia elétrica é ao menos 50% menor.

Fonte: Primeira Edição

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