CEO da Nissan e Renault aposta na venda de carros elétricos

Carlos Ghosn assegurou que as vendas de veículos elétricos continuam a aumentar, apesar de um início mais lento do que o previsto

O CEO das montadoras Nissan e Renault, Carlos Ghosn,
assegurou nesta sexta-feira à AFP que as vendas de veículos elétricos
continuam a aumentar, apesar de um início mais lento do que o previsto,
depois da assinatura pela Nissan de um acordo com o Butão.

Conhecido no exterior por seu curioso Índice da Felicidade Nacional
Bruta, o Butão apostou nos veículos elétricos com o apoio da Nissan.

Situado entre a China e a Índia, este pequeno reino himalaio quer ser
converter em uma nação pioneira dos carros elétricos, já que obtém boa
parte de suas divisas estrangeiras da venda à Índia de eletricidade
produzida em suas quatro hidroelétricas, com uma capacidade acumulada de
1.400

Por que vir para o Butão, onde o mercado ainda é insipiente?
Carlos Ghosn: Quero apoiar a vontade do
primeiro-ministro Tshering Tobgay de implantar veículos elétricos. Este
país diz “o futuro são os veículos elétricos, quero basear meu
transporte neste sistema para preservar o meu ambiente”. Isto é
importante porque é o primeiro país que diz isso claramente, e que
implementa leis, regulamentos, a tributação necessária para fazer com
que funcione. Queremos incentivar essa política, que consiste desde o
início dizer: antes do meu desenvolvimento, faço a escolha certa pelos
veículos elétricos.

Ele tem tudo para ter sucesso, porque ele gera energia elétrica através
de hidrelétricas e, portanto, não emite CO2. Ele não quer importar
petróleo, porque está preocupado com a sua balança de pagamentos. Esta é
uma vitrine global, mas é também um negócio: primeiramente, os veículos
oficiais, os táxis, as famílias ricas. Começaremos com este nicho, mas o
Butão irá se desenvolver: estamos falando de centenas de carros, mas eu
espero que haja alguns milhares em pouco tempo.

As vendas globais de veículos elétricos não decolaram tão rapidamente quanto o esperado. O que te faz ter confiança?
Carlos Ghosn: Tínhamos fixado 1,5 milhões de unidades vendidas no total, para a
Renault e Nissan até 2016, aumentamos este período até 2020. Nós todos
admitimos que o ritmo de crescimento das vendas é mais lento do que se
pensava anteriormente, mas os números continuam a subir. Passamos os
100.000 e chegamos a uma taxa de quase 60 mil por ano. Por parte da
Renault, o volume de vendas do modelo Zoe vai aumentar em 2014. Tudo
está relacionado ao desenvolvimento de infra-estruturas, mas os
concorrentes começam a chegar, e esse é um sinal que nunca falha.

As novas sinergias anunciadas entre a Renault e a Nissan prenunciam uma integração das duas empresas?
Carlos Ghosn: Estas sinergias permitem manter as marcas e culturas intactas e muito
distintas, as empresas independentes. E não paramos por aí, mas é uma
lógica de desenvolvimento de sinergias e não de integração. As marcas
estão de fato intimamente ligadas a seu país de origem, com uma forte
identidade japonesa e uma forte identidade francesa, e também
relacionada à presença local. O objetivo é gerar 4,3 bilhões de euros em
sinergias em 2016. Em 2013, estima-se que atingimos 2,8 bilhões.

Por: Patrice Novotny
Fonte: EXAME.com

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