Interesses políticos e econômicos atrasam a indústria de veículos elétricos no Brasil, diz CNT

Hoje, a frota de veículos elétricos corresponde a apenas 0,002% do
total, apesar dos benefícios ambientais e econômicos dos novos modelos. E
este segmento da indústria automobilística anda a passos lentos por
aqui: enquanto países na Ásia, Europa e América do Norte trabalham com
metas de investimento e substituição da frota de carros movidos a
combustão por elétricos, no Brasil o tema ainda não merece muita
atenção.

Elevada carga tributária, atraso no desenvolvimento da cadeia de
produção, dificuldades estruturais, interesses políticos e econômicos
estão entre os fatores que impedem que esses carros cheguem à maioria
dos consumidores brasileiros.

Nesse contexto, as dúvidas são várias. Ainda não é possível afirmar
se pagaremos ou qual será o preço com o qual teremos que arcar em razão
deste atraso. Mas fato é que, para especialistas, o movimento é
irreversível e o Brasil deve seguir este caminho.

Os arquitetos Carlos Leite e Juliana di Cesare Marques Awad, autores do livro Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes (Editora
Bookman), citam os carros elétricos como uma das soluções inteligentes
para os problemas de mobilidade nas grandes cidades do século 21. E vão
ainda mais longe: eles serão uma alternativa ainda melhor de locomoção
se o uso for compartilhado, sob demanda. Isso porque, conforme os
autores, nas cidades, a maioria das viagens é realizada com apenas uma
ou duas pessoas e a velocidade média é de menos de 20 km/h. Além disso,
segundo eles, os carros passam 75% do tempo parados, estacionados.

Na obra, os autores destacam que “veículos elétricos inteligentes
podem ser vistos simplesmente como atraentes produtos de consumo. Mas
eles também podem ser combinados com soluções inteligentes de
gerenciamento de frota – a precificação dinâmica [preços variáveis] –
para lançar novos tipos de serviços de mobilidade – no sistema sob
demanda – que permitem viagens ponto a ponto convenientes dentro das
áreas urbanas, taxas de utilização muito mais elevadas dos veículos e
que estendem a disponibilidade para aqueles que não podem ou não querem
ter seus próprios veículos. (…) Certamente teremos carros não mais
como bens de consumo, mas como serviço avançado na sociedade urbana”
(p.170).

Estudo da Universidade de Berkeley, na Califórnia, com dados de
2012, aponta que o modelo de uso compartilhado e sob demanda de
veículos, chamado carsharing, estava em operação em 27 países
em cinco continentes. A estimativa, na ocasião, era que 43,5 mil
veículos (híbridos, elétricos e a combustão) estavam em uso neste
sistema, por 1,7 milhão de pessoas. Entre as cidades que oferecem carros
elétricos por este serviço está Toronto, no Canadá. Por lá, o cliente
pode fazer a reserva até pelo smartphone a qualquer hora, escolher em
que ponto da cidade quer pegar o carro e acessar o veículo com um
cartão, sem necessidade das chaves (conheça o sistema aqui, com apresentação em inglês).

A boa notícia para o Brasil é que, apesar do baixo incentivo, há
projetos em desenvolvimento e alguns investimentos em pesquisa que
prometem resultar em bons frutos. Os estudos acontecem em universidades,
startups (empresas em fase de desenvolvimento) e grandes companhias.

A série de reportagens busca apresentar um retrato deste cenário: a
situação do Brasil, as vantagens e desvantagens dos carros elétricos
fabricados atualmente, os desafios a serem superados, os novos modelos
de negócios e as iniciativas que dão otimismo para o desenvolvimento
desta indústria no país.

Fonte: CBN Foz

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *