Brasil planeja esportivo elétrico para 2016

CPqD e Electric Dreams contarão com apoio do BNDES no projeto

Fábio Guillaumon com o protótipo do
carro elétrico da Electric Dreams

Nos próximos dois anos o Brasil poderá ter um esportivo elétrico
capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em menos de três segundos e atingir
até 300 km/h. Seu projeto tem custo estimado de R$ 25 milhões. Desse
total, R$ 6,3 milhões virão de um financiamento do BNDES concedido ao Centro de
Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicação (CPqD).
Essa fundação criará a bateria e os inversores a ser utilizados pela
fabricante do carro, a Electric Dreams, empresa instalada no polo
tecnológico de São José dos Campos (SP). A Electric Dreams desenvolverá o
carro e seus motores elétricos. Serão quatro deles, um por roda.

A Electric Dreams contará com capital próprio, externo e subvenção da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto
foi aprovado pelo BNDES Fundo Tecnológico (BNDES Funtec).

“Será um carro para um mercado de luxo, para pessoas que gostam de alto
desempenho e recursos tecnológicos”, afirma o diretor da Electric
Dreams, Fábio Guillaumon, sem revelar o preço estimado para o carro. Ele
reconhece que o projeto parece anti-intuitivo (já que o natural seria
levar os avanços obtidos a mais consumidores), mas acredita ser viável
com a venda de cerca de 20 unidades por ano.

Segundo o CPqD, o desenvolvimento das baterias para o futuro esportivo
abre perspectivas de mercado: “Já temos discussões com outras empresas,
há uma série de possibilidades em que o CPqD poderá atuar. Este carro
será o projeto mais complexo, mas certamente poderemos expandir a
tecnologia para outros veículos”, diz o diretor de laboratórios e
infraestrutura de redes do CPqD, Paulo Curado.

O PROJETO EM DETALHES
Durante as explicações de como será o carro, a marca Tesla foi citada
algumas vezes. A bateria foi uma das referências: “Terá algo entre 80 e
90 quilowatts/hora e autonomia de até 400 quilômetros, dependendo da
condição de uso”, afirma o responsável técnico da área de sistemas de
energia do CPqD, Raul Beck. As baterias do esportivo usarão certamente
íons de lítio. Pesarão entre 350 e 400 quilos.

“Em uma situação ideal como um eletroposto, a recarga ocorrerá em menos
de uma hora. Esse tempo sobe para oito a dez horas em tomadas
domésticas”, diz Beck. A Electric Dreams admite a possibilidade de
trazer componentes do exterior, como os motores elétricos. Cada um tem
150 quilowatts, ou seja, 203,9 cv de potência em cada roda.

O modelo em escala 1:4 mostrado nas instalações do CPqD traz aquele que
seria o desenho final do carro. Por causa dos nichos onde serão
instalados os faróis, a dianteira tem um quê do Batmóvel de 1966, criado
por Georges Barris para o antigo seriado de TV.

O modelo ainda não tem nome, mas seu projeto foi batizado Arion, que vem
de uma figura mitológica, um cavalo alado assim como o Pégaso. A
palavra, porém, também designa moluscos como a lesma e por isso deve ser
evitada como nome final.

A construção desse biposto usará materiais leves: “Faremos o chassi de
fibra de carbono e kevlar. A carroceria também terá partes de fibra de
carbono. Mas os componentes dianteiros terão de ser metálicos por causa
da necessidade de deformação”, recorda Guillaumon.

O diretor da Electric Dreams afirma que terá parceiros da indústria
aeroespacial instalados em São José dos Campos para conceber o futuro
esportivo. Entre as tecnologias prometidas para o Arion estão vários
sensores ligados a um sistema de controle capaz de avaliar o que ocorre
com o carro antes mesmo de um problema se tornar evidente (como uma
derrapagem, por exemplo).

Os conceitos de aerodinâmica estarão também na parte de baixo da
carroceria, favorecendo a estabilidade e a eficiência energética.
Segundo a Electric Dreams, o futuro esportivo nacional terá sistema de
armazenamento de energia híbrido, com baterias de íons de lítio e
ultracapacitores, resultando em acelerações rápidas e autonomia mais
próxima àquela de carros com motor a combustão.

A empresa promete ainda um sistema de recuperação de energia de frenagem
mais eficiente que os atuais. Por fim, a Electric Dreams informa que
seu esportivo de dois lugares terá design e fabricação customizáveis de
acordo com a demanda do comprador.

Segundo Guillaumon, o interior do carro será o mais simples possível
para reduzir a dependência de fornecedores de autopeças: “Projetamos uma
carroceria sem capota para não termos nem mesmo de utilizar
ar-condicionado.” De acordo com o diretor da Electric Dreams, o modelo
estará pronto no primeiro semestre de 2016.

A pintura que imita as camuflagens utilizadas por montadoras foi feita com traçados de autódromos.

Por: Mário Curcio
Fonte: Automotive Business

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