E a bateria para o carro elétrico?

A solução pode ser usar líquidos à base de água para armazenar energia

Quem circula por certas regiões descoladas da Califórnia, como La Jolla
ou Mountain View, já se habituou a um novo personagem na paisagem: os
carros elétricos e suas estações de recarga de baterias. Mas aí reside
o desafio para tornar o carro elétrico dominante nas ruas do mundo:
suas baterias ainda são grandes, pesadas e caras. O Tesla Modelo S,
por exemplo, requer uma bateria de dois metros de comprimento,
instalada no chão da carroceria, e sua recarga é muito mais lenta do
que a de combustível. Ou seja, superar a maior barreira atualmente
existente para o carro elétrico é também a maior oportunidade para
torná-lo um sucesso popular.

Basicamente, uma bateria consiste em um eletrodo positivo e um
negativo, um separador e um eletrólito. Vários materiais podem ser
utilizados na fabricação de um eletrodo, permitindo diferentes cargas de
armazenamento, mas sua combinação certa é vital para se adaptar a
determinados tipos de equipamentos, como os carros (a bateria de
lítio-íon, muito popular, por exemplo, pode pegar fogo sob certas
circunstâncias). A Tesla recentemente anunciou planos para a
construção de uma fábrica de baterias de lítio-íon a um custo
previsto de US$ 5 bilhões, mas especialistas consideraram a ideia
prematura, porque novas tecnologias em desenvolvimento vão trazer
alternativas mais eficientes e inovadoras.

Laboratórios pesquisam novos materiais que consigam duplicar a
densidade energética atualmente disponível para as baterias, como a
tecnologia LiNiMnCo (lítio-níquel-manganês-cobalto), lítio-ar ou
lítio-enxofre, mas a combinação química adequada continua um desafio. A
bateria de lítio-ar (ou lítio-oxigênio), por exemplo, promete muito
mais densidade energética que a de lítio-íon, mas os testes até agora
não conseguiram estabilizar os eletrodos.

Cientistas do Centro de Pesquisa Global da GE testam uma opção
inovadora: a bateria de fluxo, que utiliza fluidos à base de água para
armazenar energia elétrica. Ao contrário das baterias tradicionais, que
utilizam materiais sólidos para armazenar e liberar energia elétrica, a
bateria de fluxo usa líquidos carregados que são mantidos em tanques
separados. Os líquidos carregados entram em contato entre si apenas
durante a geração de energia, reduzindo a possibilidade de incêndio.

Além de maior segurança, os materiais de eletrodos degradam muito menos
durante a atividade, permitindo que tenham uma vida útil maior. E,
dependendo de seu tamanho, a bateria de fluxo pode armazenar quantidade
de energia suficiente para ser utilizada como reserva em casas ou
estabelecimentos comerciais, complementando o uso de fontes renováveis
intermitentes de energia (como solar e eólica, por exemplo), ou até
mesmo na rede elétrica.

Fonte: Época Negócios

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