Montadoras investem em carro elétrico, apesar da falta de incentivo

Brasil não prevê qualquer benefício fiscal para a compra desses veículos

BMW i3 em testes em São Paulo – Foto: Divulgação

Presentes em diversos países, os carros elétricos estão se tornando
realidade no Brasil também com investimentos de grandes empresas. O país
não prevê, porém, qualquer incentivo fiscal para a compra desses
veículos, fator importante para alavancar vendas.

Mesmo assim, a BMW lançou ontem, no Brasil, o seu primeiro modelo
100% elétrico produzido em larga escala, o i3. A perspectiva da
montadora é comercializar, ainda em 2014, cerca de 100 unidades, o que
deve render à companhia alemã um faturamento de ao menos R$ 22 milhões.

“Decidimos trazer o carro mesmo sem a perspectiva de contar com
tributação especial”, afirmou o presidente e CEO do Grupo BMW do Brasil,
Arturo Piñeiro.

Somente nos primeiros seis meses deste ano, a companhia comercializou 6 mil unidades desse modelo na Europa e no Japão.

Segundo a montadora, o mercado brasileiro ainda é incipiente neste
segmento, mas tem potencial de expansão. “A tendência é aumentar o
volume de vendas para 150 ou 200 unidades no ano que vem. Já há uma
procura significativa pelo nosso produto”, garante o diretor de vendas
do Grupo BMW no Brasil, Martin Fritsches.

O executivo disse ainda que a montadora está negociando parcerias com
estabelecimentos como postos de gasolina, shoppings, aeroportos e
hoteis para ampliar a oferta de recarga ao consumidor, ainda que o
veículo consiga rodar até 200 quilômetros com propulsão totalmente
elétrica. “Dificilmente, alguém irá rodar mais do que isso em um único
dia”, diz.

De acordo com a BMW, uma recarga residencial total do motor elétrico
do i3 custa, em média, apenas R$ 7 para o consumidor. O modelo conta
ainda com uma reserva do motor a combustão (gasolina), que garante 100
quilômetros extras de autonomia. E esta é a preocupação principal quando
se fala em veículo elétrico. No entanto, o gerente de vendas e
marketing da companhia, Carlos Cortes, garante que a novidade i3 será
recarregado majoritariamente em casa.

“Com a autonomia do nosso veículo elétrico, será possível rodar nos
grandes centros por até uma semana”, destaca o executivo. “As parcerias
serão somente uma forma de ampliar a percepção de segurança do
consumidor”, complementa o gerente de vendas da BMW.

Feito para metrópoles
O i3 é um modelo de veículo elétrico bastante compacto, desenhado
para grandes cidades, que cada vez mais perdem espaço. Neste cenário,
outras montadoras também já apostam nesta tendência.

“A Aliança Renault Nissan está investindo 4 bilhões de euros nesta
nova tecnologia. Buscamos também o apoio do governos e de empresas que
possuem a sustentabilidade na sua agenda e, com isso, desmistificar o
uso dos veículos elétricos”, afirmou ao DCI, a gerente de relações
institucionais e governamentais e chefe do carro elétrico para a Renault
do Brasil, Silvia Barcik.

De acordo com a executiva, as primeiras revelações de veículos
elétricos da Aliança foram realizadas em 2010. Desde então, no Brasil, a
Renault fez parcerias com as cidades de Brasília (DF) e Curitiba (PR),
além de empresas como Itaipu, Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL),
Federal Express (Fedex) e o Grupo TPC, com sede em Salvador (BA).

“Já vendemos cerca de 70 veículos zero emissões da Renault, no País”,
conta a executiva. Os modelos comercializados são os compactos Zoe e
Twizy e o furgão Kangoo.

Perspectivas
Para a gerente da Renault, o mercado zero emissões ainda crescerá
muito no Brasil. “Não temos dúvida de que o veículo elétrico
representará uma parcela significativa da frota nacional”, destaca.
“Porém, a velocidade para se chegar lá vai depender dos incentivos
governamentais e reduções tributárias”, pondera Silvia.

Para o diretor de vendas da BMW, Martin Fritsches, a expansão do
mercado de elétricos só será possível com ações conjuntas. “É questão de
tempo para que o governo comece a incentivar essas práticas. Mas isso
só ocorrerá em parceria com outras montadoras”.

Por: Juliana Estigarríbia
Fonte: DCI

Um comentário em “Montadoras investem em carro elétrico, apesar da falta de incentivo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *