Primeiras impressões: BMW i3

Compacto é esperto, moderno e oferece luxos esperados para a marca.
Preço, porém, fará com que seja raridade ver um rodando no país.

BMW i3 em São Paulo – Auto Esporte

Nos últimos anos, carros elétricos têm sido usados pelas montadoras como
bandeira de um futuro melhor: não poluem, reúnem modernas tecnologias e
materiais ecológicos, e prometem desempenho tão bom quanto os movidos a
gasolina e outros combustíveis. Na prática, porém, esse futuro está
distante. Apesar de incentivada em algumas localidades do mundo, a venda
de elétricos ainda esbarra em uma série de questões: alto custo e baixa
escala de produção, falta de estrutura para abastecimento nas ruas e a
desconfiança do consumidor.

O maior receio é ficar a pé, caso a bateria, que faz o papel do
combustível, acabe longe de um posto de recarga: uma situação um pouco
mais dramática do que a do celular que desliga sem dó após consumir o
último “palitinho” de carga que aparecia na tela.

A BMW decidiu encarar esses obstáculos e colocou no mercado um elétrico
compacto – adotando a “tática” do veículo para uso urbano, caso também
do Nissan Leaf, o mais bem sucedido dos modelos que só usam energia elétrica.

Mas a marca alemã não abriu mão do luxo que é associado a ela. Assim, o
i3 custa 10 mil euros a mais na França, por exemplo, do que o Leaf (o
japonês parte de 18.090 euros, cerca de R$ 55 mil, e o alemão, de 28.900
euros, o equivalente a R$ 85 mil).

Nos Estados Unidos, para onde é exportado, o BMW custa quase o dobro do compacto da Nissan (R$ 96,7 mil contra R$ 50,4 mil, em conversão do dólar para reais).

Raridade no Brasil
Mais ousada ainda, a BMW decidiu exportar o elétrico também para o
Brasil, onde ele será o único do tipo com venda em lojas –a Mitsubishi
só oferece o i-Miev sob encomenda e o Leaf desfila em algumas capitais apenas como táxi ou
veículo de frota, em esquema de permuta. Fora isso, há uma pequena turma
de híbridos: que possuem motor a combustão que pode atuar junto com o
elétrico para “empurrar” o carro (veja alguns na tabela acima).

Se o i3 já era mais caro no exterior, a situação no mercado brasileiro
exige um superlativo: o carro chega por salgadíssimos R$ 225.950, na
configuração mais “básica”. A topo de linha, com alguns equipamentos
extras e detalhes diferentes no acabamento interno, custa R$ 10 mil a
mais.

Feito em uma fábrica apenas para os elétricos da BMW, na Alemanha, o i3
agrega os 35% de imposto de importação ao preço e está sujeito também
aos 30 pontos percentuais a mais no Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) para carros trazidos de fora do México e do
Mercosul.

Como passará a fabricar veículos (não o i3) no país ainda neste ano e
aderiu ao Inovar Auto, o conjunto de regras do governo para montadoras e
importadoras, a BMW até poderia inclui-lo numa cota que é liberada do
aumento no imposto.

Por ora, o valor final coloca o elétrico alemão na mesma faixa de preço
dos modelos M, a submarca com preparação esportiva da BMW, e do SUV X3.
“Vamos lançar sem nenhum incentivo do governo (para esse tipo de
carro)”, confirmou o presidente da montadora no Brasil. Assim como
Nissan e Toyota, a BMW tenta uma política de benefícios para o elétrico
no país, como, por exemplo, a isenção de IPI.

Vai carregar onde?
Além disso, a comercialização esbarra na estrutura quase inexistente no
Brasil para recarga da bateria de veículos. Tanto que a venda do modelo
será limitada a 8 cidades.

Caberá à BMW providenciar postos, por conta própria ou em parcerias que
ainda negocia. “Teremos postos em todas as concessionárias de São
Paulo, mesmo as que não vendem o i3”, diz Martin Fritsches, diretor de
vendas.

Para carregar completamente a bateria do i3, em tomada convencional de
220 volts são necessárias 8 horas; o tempo dobra se forem 110V. A marca
oferece um carregador rápido, cobrado à parte (R$ 745) e que precisa ser
instalado na parede, para reduzir esse tempo a até 5 horas. O custo por
recarga, com base nas tarifas de São Paulo, é de R$ 7, diz a BMW.

Mas anda bem ou não?
Complexidades do mercado à parte, se a missão é experimentar o i3 sem
pensar em colocar a mão no bolso, o que vem a seguir são só boas
notícias. A BMW não quis fazer do seu elétrico um “carrinho” que cumpre a
missão de levar o motorista de lá para cá, no máximo por uns 100 km,
com a glória de não emitir gases poluentes.

A montadora criou um compacto de 172 cavalos com 25,49 kgfm de torque
-mais do que os 22,43 kgfm do Série 3 mais básico (316i). E há um
detalhe importante: essa força é entregue logo de cara, e não em altos
giros em alguns motores a combustão, o que combina com o anda e para da
cidade e também é importante em retomadas na estrada. A velocidade
máxima é de 150 km/h e a tração é traseira, uma tradição da fabricante.

Com bom ângulo de esterço, o i3 também é craque em manobras. Ainda
segundo a BMW, o i3 vai de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos. Se parar num
semáforo, por exemplo, é só pisar no acelerador ao ver a luz verde para
sentir o puxão do carro e ouvir um leve zunido. Zunido porque ronco,
mesmo, não sai do motor. Como todo elétrico, ele é um carro silencioso.

O barulho ouvido na cabine é apenas o rolar dos pneus. A montadora
optou por rodas aro 19 na versão inicial e 20 na mais cara – carros
compactos, em geral, costumam ter rodas com aro menor, de 14 ou 15
polegadas. O motor fica na traseira e a característica grade BMW na
dianteira, onde ficam as “entradas” de ar, é só enfeite: como não é
movido a combustão, o carro não tem necessidade de sistema de
arrefecimento.

Por: Luciana de Oliveira
Fonte: Auto Esporte

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