Aluguel de moto elétrica é opção para logística limpa

Em parceria com empresa europeia, executivo traz para o Brasil modelo de negócios baseado na locação de
veículos silenciosos e com emissão zero

A Cooltra tem dois modelos de scooter elétrica; diferença está na velocidade e na autonomia. Foto: Divulgação/Cooltra

Mais de 17 milhões de motocicletas rodam pelo País, segundo o
Denatran. Elas geram 80% do ruído urbano, emitem gases e partículas
poluentes. Para oferecer uma alternativa a esse cenário, o executivo
Island Farias trouxe para o Brasil o modelo de negócios da Cooltra, que
faz locação de scooters elétricas.

Em parceria com a matriz europeia, Faria inaugurou em abril, em São
Paulo, a primeira unidade da Cooltra no País. A locação de modelos
silenciosos e com emissão zero é voltada para empresas e também para o
usuário final.

Na Europa, a companhia tem mais de 80 lojas. A maior demanda é de
empresas. Na outra ponta estão turistas, que podem alugar as motos pela
internet e retirá-las no local.

No Brasil, diz Faria, o objetivo neste início de operação é aproximar
o veículo elétrico do varejo, com ofertas que tornem a escolha
competitiva.

Além da questão sustentável, o executivo destaca a economia que o
empresário pode ter a longo prazo se optar pela locação de um veículo
elétrico. Faria compara os custos que uma empresa teria ao comprar uma
moto movida a gasolina e ao alugar uma elétrica. No primeiro caso entram
gastos com combustível, seguros, IPVA, licenciamento, lubrificantes,
peças, financiamento e depreciação de um modelo de 150 cilindradas. O
desembolso por mês, calcula, chega a R$ 1.198. Na locação de uma
elétrica, o gasto mensal cai para R$ 656, pois entram na soma apenas o
aluguel e o abastecimento – que, de acordo com a empresa, custa apenas
R$ 1,33 a cada 100 quilômetros rodados.

Clientes
Com cinco meses de operação no Brasil, a Cooltra tem mais de 30
clientes, a maioria no segmento corporativo. “Nossos clientes estão
concentrados em empresas de delivery, que oferecem entrega de produtos
sem emissões de CO2”, afirma.

Além das empresas, a companhia quer atender o turista que deseja
conhecer São Paulo e usar um meio de transporte limpo para fazê-lo. Por
isso, além das motocicletas – com diária em torno de R$ 60 -, aluga
bicicletas elétricas, por cerca de R$ 30 a diária.

Até o final de 2014 deverá ser aberta uma unidade no Rio de Janeiro. A
empresa estuda ainda abrir pontos em Campinas, Curitiba e
Florianópolis.

Para 2015 a meta é multiplicar por dez o número de veículos hoje
disponíveis para locação e chegar a mil unidades, entre motos e bikes.

Faria estuda ainda a hipótese de franquear o modelo de negócio a partir de 2016.

Na Europa, a Cooltra faturou o equivalente a R$ 12 milhões em 2013.
Para o primeiro ano da operação no Brasil, o executivo projeta um
faturamento de R$ 1 milhão. A empresa investiu R$ 2,5 milhões para abrir
o negócio e se adaptar ao mercado brasileiro e já pensa em expansão.
“Hoje temos 50 veículos disponíveis, mas devemos ter outros 50 até
dezembro”, afirma.

O investimento para iniciar as operações no Brasil partiu da matriz. A
operação brasileira é uma sociedade da empresa europeia com Faria, que
responde como consultor executivo da Cooltra no País.

Montagem
Os modelos utilizados pela locadora são do tipo E-Max 90S e 120S. A
diferença está na velocidade e na autonomia. O primeiro atinge 45 km/h e
roda até 60 quilômetros sem recarga. O segundo chega a 75 km/h, com
autonomia de até 90 quilômetros. O tempo para recarregar completamente
as baterias varia de 3 a 4 horas, em tomada comum.

As motos têm peças importadas da Alemanha e da Itália, mas são
montadas na fábrica da Riba Motos, na cidade de Varginha, Minas Gerais.

Boa parte do que sai da linha de montagem é direcionada para a
própria Cooltra. Mas empresas de entregas, entre elas os Correios, já
compraram lotes de motocicletas.

“O preço talvez ainda assuste um pouco. Cada moto elétrica pode
custar entre R$ 9 mil e R$ 18 mil, depende da sua capacidade de
autonomia”, diz Faria. O componente mais caro é a bateria.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas,
Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) não tem
dados sobre o número de motocicletas elétricas que rodam hoje no Brasil.
Na China, a estimativa é de que a frota desses veículos chegue a 90
milhões de unidades em 2018.

Por: Sammy Eduardo
Fonte: DCI

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