Ônibus elétrico é testado no Rio e reduz em quase 80% gastos com combustível

Elevado preço do veículo, baixa autonomia e necessidade de manutenção especializada são empecilhos para adoção da tecnologia.

Ônibus elétrico passa por teste no Rio e mostra redução no gasto com combustível

Um teste com um ônibus 100% elétrico mostrou uma redução de 78% no custo com combustível na comparação com coletivos convencionais, movidos a diesel. Durante dois meses, o veículo transportou passageiros nas ruas do Rio de Janeiro, em condições reais de uso. Enquanto o ônibus movido a diesel gasta R$ 5,3 mil em combustível por mês, o movido a energia elétrica gastou apenas R$ 1,2 mil.  Além de economizar na conta do combustível, o veículo também polui menos e praticamente não faz barulho.

No entanto, o teste concluiu que ainda não há condições de uso em larga escala do ônibus elétrico. As principais dificuldades são o preço alto, e a necessidade de manutenção especializada. A baixa autonomia também preocupa: o coletivo movido à eletricidade roda no máximo 250 quilômetros por dia, enquanto o convencional circula até 700 quilômetros por dia. Além disso, o espaço interno é 30% menor para acomodar a bateria, o que reduz as vagas para passageiros.

O gerente de planejamento da Fetranspor, a Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio, afirma que faltam incentivos e segurança jurídica para investir na tecnologia, além de sobrarem incertezas no setor de energia. Segundo Guilherme Wilson, o custo do ônibus elétrico ainda não é competitivo para as empresas.

“O custo real do veículo (elétrico) chegaria a quatro vezes o valor de um ônibus convencional, por isso a gente diz que a conta não fecha. Não que ela não possa fechar, mas ela ainda precisa ser desenhada. Ainda é preciso um modelo de negócio, com apoio inclusive do poder público em termos de subsídios e desoneração tributária”, afirma Guilherme Wilson.

O ônibus elétrico é fabricado pela multinacional chinesa BYD, que planeja montar uma fábrica em Campinas no ano que vem. A empresa garante que a bateria dura 30 anos e que o descarte não seria um problema.

O gerente de relações governamentais da BYD argumenta que os veículos têm custos reduzidos de manutenção porque não possuem embreagem nem caixa de câmbio, além de terem sistema de freios mais eficientes. Para Adalberto Maluf, o ônibus elétrico, além de mais limpo, ainda reduziria o impacto das variações do preço do petróleo.

“Do ponto de vista da segurança energética, o veículo elétrico é uma beleza. (A usina de) Itaipu solta água sem gerar energia porque ninguém consome à noite. Se tiver alguém consumindo energia durante à noite é uma renda extra para o setor elétrico”. Maluf completa: “Além de gerar menos pressão para Petrobras reduzir (o preço do diesel), teremos uma renda para o setor elétrico, menos poluição urbana. Então do ponto de vista das políticas públicas resolve vários problemas macroeconômicos”, diz otimista o executivo.

Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador também testaram o ônibus elétrico, mas não mediram o impacto do uso no dia a dia. Desde 2011, cidades como Nova York, Londres e Bogotá usam o veículo em caráter experimental.

Fonte: CBN

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