Sistema de compartilhamento de carros elétricos é lançado no Recife

Iniciativa é a primeira do Brasil e começa a ser testada no próximo dia 15.
A partir de março, todos poderão utilizar os três carros importados da China.

Carros elétricos foram importados da China e acomodam até duas pessoas (Foto: Marina Barbosa / G1)

O sistema de compartilhamento de carros elétricos, originalmente
chamado de car sharing, está chegando ao Brasil. É a capital
pernambucana que vai inaugurar o projeto, que permite alugar carros
sustentáveis por determinado intervalo de tempo através do celular. A
ideia é uma das saídas encontradas por países como França, Estados
Unidos e China para o problema da alta emissão de gases poluentes por
veículos automotivos. No Recife, ainda pretende incentivar o uso de transportes alternativos e começa a funcionar em dez dias, no próximo dia 15.

O primeiro mês servirá como teste. Por isso, apenas 20 pessoas
previamente escolhidas poderão utilizar os veículos sustentáveis, que
vão ficar disponíveis em três estações de compartilhamento – nas ruas do
Brum e Vasco Rodrigues, no Bairro do Recife; e na Rua do Lima, em Santo
Amaro, área central da capital. O número de usuários vai crescer
gradualmente nos dois próximos meses. E, em março, o projeto será aberto
ao público através do aplicativo para celular do Porto Leve. O
dispositivo já oferece o aluguel de bicicletas por meio de uma parceria
das empresas Porto Digital e Serttel, que também são responsáveis pela
implantação do car sharing.

Daqui a três meses, o sistema também vai ganhar três novas estações de
compartilhamento, na Praça do Derby, na Prefeitura do Recife e na Casa
da Cultura. No entanto, o número de automóveis vai continuar o mesmo. “É
um protótipo, por isso fica com três carros. Esperamos que, com a
consolidação da ideia, o poder público veja seu valor e resolva
expandi-la, como aconteceu com o aluguel de bicicletas que hoje já tem
mais de 70 estações”, explica o diretor do Porto Digital, Francisco
Saboya, destacando que a função da empresa é testar tecnologias que
contribuam com os maiores desafios urbanos da atualidade: mobilidade,
sustentabilidade e segurança. Por isso, cabe ao poder público ou a outra
empresa privada ampliá-las. Já a Serttel fica responsável pelo
desenvolvimento e operação do sistema.

Funcionamento
Seguindo os exemplos que têm dado certo no exterior, o projeto
pernambucano oferece o aluguel de carros elétricos por até meia hora a
usuários cadastrados no aplicativo para celular do Porto Leve. Assim
como as bicicletas de aluguel, os carros podem ser retirados e entregues
em qualquer estação do programa. A única recomendação é que sejam
preferencialmente utilizados por mais de uma pessoa ao mesmo tempo,
reduzindo, assim, a quantidade de automóveis nas ruas. A recomendação é
sentida inclusive no preço.

Para utilizar o sistema, é preciso pagar uma mensalidade no valor de R$
30, além de uma taxa extra para cada corrida. Se o usuário não oferecer
carona, essa taxa é de R$ 20. Caso dê carona através do aplicativo para
outro usuário do programa, o valor é dividido entre os dois usuários.
Se o motorista oferecer a carona e mesmo assim nenhum interessado se
manifestar nos 15 minutos de tolerância, também paga R$ 10. Ainda é
preciso pagar uma taxa extra caso o motorista ultrapasse os 30 minutos
permitidos para a utilização do veículo. Por cada minuto adicional será
cobrado R$ 0,75.

“É uma forma de incentivar o compartilhamento do veículo para diminuir a
quantidade de carros nas ruas e, assim, contribuir com a preservação
ambiental”, afirma o diretor de tecnologia da Serttel, Alberto Van
Drumen. Na Europa, cada exemplar do car sharing retira entre seis e nove
veículos tradicionais das ruas. A experiência também mostra que,
comparado a um carro particular, os veículos sustentáveis gastam 4,5
vezes menos em cada quilômetro rodado. Alimentados por energia limpa,
ainda evitam a utilização de combustíveis fósseis e contribuem para a
redução da poluição atmosférica.

A carona, por sinal, é uma inovação do sistema brasileiro. “Nenhum
outro modelo oferece essa possibilidade. Além disso, toda a nossa
operação é feita pelo celular. No exterior não, há totens nas estações
para desbloqueio do veículo”, afirma o diretor de inovação e
competitividade empresarial do Porto Digital, Guilherme Calheiros.

Para solicitar o veículo, basta entrar no aplicativo do Porto Leve e
escolher a opção do car sharing. A aplicativo mostra as estações do
projeto e o usuário precisa indicar a estação de origem para que o
sistema verifique se há carros disponíveis naquele local. Também será
preciso informar o destino, para garantir que haja vaga quando for
devolver o carro. Cada estação conta com duas vagas exclusivas para os
veículos sustentáveis.

Depois de completar a solicitação, o usuário tem a possibilidade de
oferecer uma carona e ver os interessados próximos. Caso essa opção seja
escolhida, um relógio indica os 15 minutos de espera pelo companheiro.
Esgotado o tempo, o chaveiro do veículo aparece para que o usuário
desbloqueie a porta.

Passado todo esse processo, basta ligar o veículo. “É como um carro
automático. Não há marcha, apenas freio e acelerador. Mas a principal
diferença é mesmo o silêncio. Por se tratar de um carro elétrico, parece
que está desligado”, conta Van Drumen. Importados da China, os carros
sustentáveis são inteiramente elétricos, equipados com ar-condicionado e
demoram seis horas para serem carregados. Cada exemplar acomoda dois
passageiros e alcança até 60 km/h. Quando totalmente carregado, pode
rodar por até 120 quilômetros. O projeto teve custo total de R$ 500 mil,
financiado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pela Serttel, que
arcou com o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Para utilizar o sistema, basta ser maior de 18 anos, ter carteira de
habilitação, cartão de crédito e baixar o aplicativo do Porto Leve. Após
fazer a inscrição no celular, é preciso apresentar os documentos de
identidade e habilitação no escritório do Porto Digital, no Bairro do
Recife. A organização lembra que os veículos são monitorados e têm
placas, por isso, podem ser multados e os responsáveis pelas infrações
serão notificados.

Fonte: G1 Pernambuco

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