Avaliação do Renault ZOE Z.E.

Aceleramos o veículo 100% elétrico da montadora francesa em uma pista de testes até a bateria acabar

Renault ZOE Z.E.

Ainda sem previsão para se tornar um veículo de produção no Brasil, o Renault Zoe desfila em territórios restritos como o Pátio da CPFL Energia (Companhia Paulista de Força e Luz) da cidade de Campinas, sede da Empresa. Por lá, seis desses veículos já rodaram 17 mil quilômetros e consumiram 3.249 KWh de energia, o equivalente ao gasto de 16 casas durante um mês. Com isso, os veículos deixaram de emitir 2.3 ton/CO2 na atmosfera. É o mesmo que retirar das ruas 27 carros com motor 1.0 por trinta dias. A iniciativa é parte da primeira fase do Programa de Mobilidade Elétrica, projeto que estuda os impactos da utilização de veículos elétricos. A pesquisa, iniciada em 2013, receberá R$ 21,2 milhões em recursos até 2018 para aplicação em estudos, infraestrutura e veículos.

Resultados da primeira fase desse estudo indicam que a utilização do carro elétrico é cerca de quatro vezes mais barata do que a de um carro convencional, e que o valor do quilômetro rodado por um carro a combustão (quando abastecido com etanol) é de cerca de R$ 0,19, enquanto o veículo movido à eletricidade percorre a mesma distância pelo custo de R$ 0,05.

Outra que adquiriu recentemente 20 unidades do Zoe foi a geradora de energia Itaipu Binacional. Mas enquanto os subsídios governamentais e a estrutura do país não forem prioridade para o sistema de mobilidade urbana, vai ser difícil ver o silencioso Zoe emplacado nas ruas brasileiras.

Impressões
A Renault divulga que a autonomia do Zoe é de 210 km. A montadora fez, inclusive, uma viagem intermunicipal de ida e volta entre Campinas e São Paulo para comprovar que a utilização de carros elétricos pode e deve ser ampliada. O ponto de recarga utilizado na oportunidade foi o de um estacionamento de um shopping center na capital paulista.

Todas as versões do Zoe disponíveis no mercado, inclusive as que rodam pelo Brasil, são equipadas com um motor de 88 cv (65kW) e 22,4 kgfm acoplado a um câmbio de duas marchas, uma para frente e outra para trás. O que lhe rende boas arrancadas e acelerações. Na pista de testes o painel marcava 140 km/h de velocidade máxima, mas a fabricante divulga que a máxima real é de 135 km/h. O carro é gostoso de dirigir, tem direção elétrica macia, direta e com diâmetro de giro de 11,9 metros.

A tela multimídia se destaca no centro do painel. Nela, é possível ver o sistema de regeneração das baterias funcionando. Quando se acelera forte, o consumo de energia é maior, mas desacelerações o sistema é regenerado. Mas apenas nas desacelerações, e não pelas frenagens. As baterias são de íon-lítio, e podem ser recarregadas em tomadas de 220V de oito a nove horas. Ou podem ser carregadas em uma hora no sistema “quick charge”, em pontos de carregamento que possuem voltagem maior. O carro é confortável, mérito da acertada suspensão do tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, que trabalha bem em conjunto com os pneus 195/55 R15. No traçado escolhido fez bem as curvas e se mostrou um carro equilibrado. O porta-malas carrega bons 388 litros.

O compacto verde tem bom espaço interno para quatro pessoas. Sua distância entre-eixos é de 2,59 metros, maior que a do Clio que conta com 2,47 m. Totalmente elétrico,
o hatch é simples por dentro, mas bem acabado. Suas linhas externas contam com design futurista, o que o faz destoar dos demais automóveis.

Apresentado no Salão de Genebra de 2012, o Renault ZOE ganhou as ruas da Europa e dos EUA no ano seguinte. No velho mundo, o veículo é oferecido em três versões. A Life, que custa 21.275 euros; a Intens com preço de 23.075 euros; e a topo de linha Zen, por 23.075 euros, equipada com sistema “My Z.E”, que permite que você acesse remotamente, via celular, informações sobre o carro como o nível de bateria que ele possui. As rodas da versão intermediária, e topo de linha, são de aro 16.

De série, a linha Zoe vem com itens diversificados como: Sistema “Eco-pilot”, por onde se pode visualizar em tempo real o consumo de energia, botão “Eco”, que permite diminuir as características dinâmicas e a potência do ar-condicionado para favorecer a autonomia. Pré-climatização do habitáculo, que permite ativar o aquecimento ou o ar-condicionado enquanto o Zoe ainda está carregando, e pneus Michelin TM E-V que oferecem menos de atrito, sem prejudicar a aderência e frenagem.

Mercado brasileiro
Embora tenhamos carros híbridos como o Toyota Prius, o Lexus CT200 H, o Fusion e o Renault Kangoo rodando pelo país, por enquanto ainda é cedo afirmar quando os carros 100% elétricos chegarão ao país. Os carros híbridos são uma espécie de transição para a chegada do carro puramente elétrico, com emissão zero de poluentes. Entre os principais fatores impeditivos, figuram o custo das baterias, em alguns casos a metade do preço do automóvel elétrico, a falta de subsídios governamentais para baratear o custo do produto, e falta de investimentos em infraestrutura em nosso país.

Especialistas afirmam que esse cenário deve mudar, com sorte em breve, porque o governo estaria sinalizando que quer apoiar a causa. Para saber se o negócio vai ou não valer a pena, é preciso aguardar. O fato é que sem subsídios, o Zoe chegaria muito caro ao Brasil, o que deveria desanimar possíveis interessados.

Por: Alexandre Izo
Fonte: Revista Auto Esporte

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *