Oferta da Fiat de fabricar carros com Apple não é tão maluca

Em busca de um parceiro com o qual se combinar, o CEO da Fiat Chrysler acaba de dizer que está aberto a uma aliança com a Apple.

“Sempre me intrigou a possibilidade de surgirem inovadores tecnológicos no mercado e mudarem o paradigma”, disse Sergio Marchionne a analistas, na quarta-feira, em meio a um discurso para explicar por que a indústria automotiva deve se consolidar.

“Se eles surgirem e forem realmente bem-sucedidos, com a montanha de dinheiro e o know-how que eles têm, podem fazer estragos no setor”.

Ao responder se estaria disposto a levar sua proposta à Apple ou à Google em caso de rejeição de outras fabricantes de veículos, Marchionne disse que era possível. “Eu acho que, de qualquer forma, deveríamos incentivar esse diálogo”.

Os comentários de Marchionne ressaltam as possíveis mudanças em curso nos setores automotivo e tecnológico em um momento em que ambos se tornam cada vez mais interligados, podendo abrir novas portas a players e relacionamentos incomuns. A ideia de uma aliança com a Apple não é tão absurda quanto pode parecer. Eis o porquê:

Carro da Apple?
A Apple vem estudando o desenvolvimento de seu próprio carro elétrico, pressionando seus engenheiros a iniciarem a produção já em 2020, embora a empresa possa deixar esses esforços de lado ou atrasar os planos se os executivos ficarem insatisfeitos com o progresso, disseram fontes familiarizadas com a tentativa, no início do ano.

O CEO da Apple, Tim Cook, está levando a fabricante de iPhones e iPads a ingressar em novas categorias de produtos para envolver mais as vidas digitais dos usuários com o mundo da Apple.

Já são amigos
A Fiat, de Marchionne, já tem um relacionamento com a Apple. Eddy Cue, diretor de software e serviços para a internet da empresa de tecnologia, está no conselho da Ferrari SpA desde 2012.

O diretor financeiro da Apple, Luca Maestri, passou vários anos na General Motors e era, inclusive, o executivo que estava no comando do relacionamento da fabricante de automóveis americana com a Fiat, entre 2000 e 2005.

Os investidores podem estar no clima
Os investidores recomendaram a Cook, na reunião anual de acionistas da Apple, em março, que ele estudasse um casamento com outra fabricante de automóveis, a Tesla Motors Inc.

O CEO se esquivou do assunto, dizendo que esperava que a Tesla, empresa com sede em Palo Alto, Califórnia, utilizasse o sistema de informação e entretenimento de bordo da Apple.

O otimismo em relação aos produtos da Apple para o futuro levou as ações da empresa a altas recordes neste ano. A Apple encerrou o trimestre de março com US$ 194 bilhões em caixa e títulos. A empresa, com sede em Cupertino, Califórnia, não tinha comentários imediatos a fazer a respeito das declarações de Marchionne.

Um acordo como esse ainda seria improvável
A Apple, que tem se esquivado de grandes aquisições, ainda está digerindo a compra da Beats Electronics LLC ocorrida no ano passado, por US$ 3 bilhões, que foi uma tentativa de aumentar a divisão de streaming de música da empresa.

A Apple também deixou de fabricar seus próprios produtos, recorrendo a empresas terceirizadas asiáticas de baixo custo para produzir seus iPhones, por exemplo. Possuir uma fabricante de carros global não se encaixa nessa estratégia.

Por: Tim Higgins, da Bloomberg
Fonte: EXAME.com

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