O triunfo do carro elétrico

Em 2015, os modelos sustentáveis provaram que podem ser mais econômicos e eficazes — além de bem menos danosos ao meio ambiente — do que os automóveis movidos a gasolina

O Tesla S, da empresa do pioneiro Elon Musk: Ele é carregado na garagem de casa(Divulgação/VEJA)

Os carros elétricos são uma aposta antiga – e ponha antiga nisso. Os primeiros protótipos surgiram em 1832, antes mesmo de começarem os testes com automóveis movidos a gasolina. Em 1890, o químico escocês William Morrison apresentou uma versão capaz de transportar seis pessoas, a uma velocidade de 20 quilômetros por hora. Só que, para operar, ele precisava de 24 baterias de 14 quilos cada uma, que demoravam dez horas para ser carregadas. A evidente falta de praticidade fez com que essas versões não vingassem – abrindo espaço para a indústria automobilística que conhecemos. Nas duas últimas décadas, porém, voltaram as apostas nos veículos elétricos. São dois os motivos: 1) os avanços tecnológicos começaram a barateá-los e torná-los eficazes; 2) as preocupações conservacionistas transformaram o petróleo no grande inimigo do meio ambiente. Esses fatores instigaram a busca por alternativas mais, digamos, “verdes”. Mesmo assim, os elétricos pareciam não vingar. Sempre faltava algo. Ou eram caros demais, ou a bateria não aguentava viagens longas. Este 2015, no entanto, está terminando como um ano de triunfo para os carros elétricos. A explicação: eles provaram, como nunca, que não só são opções sustentáveis, como podem ser mais econômicos e eficientes do que os movidos a gasolina.

À frente da transição dos veículos a combustão para os elétricos está o empreendedor sul-africano Elon Musk. Apelidado de Homem de Ferro da vida real, pelo perfil que mescla genialidade com um comportamento de playboy, similar ao do super-herói dos quadrinhos e filmes hollywoodianos, Musk se considera um obcecado. Com sua SpaceX, pretende retomar o ritmo da exploração espacial. Com a So­larCity, quer encerrar as atividades das usinas de carvão e tornar a energia solar a principal fonte para o fornecimento de eletricidade nos Estados Unidos. E, com a Tesla, protagoniza a ascensão dos carros elétricos. “Novas tecnologias levam três gerações para se tornar populares. Estamos na segunda da Tesla. Na próxima, teremos veículos elétricos que custarão o mesmo que os atuais modelos populares a gasolina”, afirmou Musk recentemente. “Há um gerador enorme em cima de nós, que é o Sol. Garanto que ele será a fonte primária de energia da civilização em no máximo dezoito anos.”

Hoje, o modelo mais em conta do Tesla S não é nada em conta: sai por cerca de 70 000 dólares nos Estados Unidos. Contudo, a meta é reduzir esse preço para menos de 30 000 dólares até 2020. A concorrência também impulsiona o mercado. Existem versões elétricas de praticamente todas as principais fabricantes. A General Motors, por exemplo, apresentou em janeiro passado o Bolt EV, 100% elétrico, compacto, criado para já custar menos de 40 000 dólares e cujas vendas começam em 2016. Em breve, as concessionárias contarão com automóveis desse tipo dos mais variados modelos. Também neste ano, a Audi mostrou como será seu SUV elétrico, ainda sem preço definido, que chegará às lojas em 2018. Para acelerar a transição para os carros sustentáveis, Musk adotou uma política rara para um executivo do seu calibre. “Erramos ao brigar por patentes”, constatou. “A Tesla não terá tempo de desenvolver, sozinha, versões mais acessíveis ao público.” Por isso, Musk optou por abrir a startups, ou mesmo à concorrência, segredos técnicos de sua empresa. Assim, pretende impulsionar o setor.

A principal fronteira tecnológica a ser transposta para garantir a evolução dos elétricos é o desenvolvimento de baterias mais baratas e eficazes. Nesse quesito, a Tesla deu um largo passo em 2015 ao apresentar o Powerwall. Trata-se de um carregador que pode ser movido a energia solar, utilizado para alimentar casas ou – e este é o foco – carros elétricos. Ainda em pré-venda, custa cerca de 3 000 dólares, mede 1,30 metro e, com 100 quilos, pode ser acoplado, por exemplo, à parede de uma garagem. Com isso, tem-se, pela primeira vez, uma forma prática de recarregar os automóveis.

Aliás, realizar isso já sai mais em conta que depender de gasolina. Por serem três vezes mais eficientes no aproveitamento da energia gerada, os elétricos podem ser até 75% mais econômicos. Espera-se, ainda, que a balança penda cada vez mais para o lado dos veículos verdes. Além de se tornarem cada vez mais eficientes e econômicos, eles serão bem menos danosos à natureza. Os meios de transporte são responsáveis por cerca de 20% do consumo global de energia e 25% da emissão de dióxido de carbono – sendo esta uma das principais contribuições para o agravamento das mudanças climáticas que afetam o planeta. Com a transição, esse cenário, que culminaria em um desastre ambiental, pode ser revertido. Diz Musk: “Quando um objetivo é importante o suficiente, você faz tudo para chegar a ele mesmo que as chances não estejam a seu favor”. Desta vez, porém, estão, sim, a seu favor.

Por: Jennifer Ann Thomas
Fonte: VEJA.com

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