GM quer liderar em carros elétricos também no Brasil

A General Motors (representada no Brasil pela Chevrolet) vai manter sua operação valorizada na América Latina com investimentos na atualização dos veículos atuais, lançamento de novos modelos e a busca da liderança em carros elétricos. A garantia foi dada por Carlos Zarlenga, presidente da GM para o Mercosul, em entrevista para Autoesporte, logo após o anúncio da reorganização do grupo, na semana passada.

Em 3 de outubro, Mary Barra, CEO da GM, anunciou que a partir de primeiro de janeiro de 2018 a empresa será dividida em três áreas: GM Estados Unidos, GM China e GM Internacional. É aqui que o Brasil se localiza, junto da Argentina na subdivisão Mercosul, ao lado de América do Sudoeste, Índia, Coreia, Austrália e Sudeste Asiático.

“Dias atrás, anunciamos quatro bilhões e meio de reais de investimentos que serão usados no lançamento de modelos para segmentos que estão crescendo muito e a GM não participa, modernizar o portfólio e nosso powertrain, motores e transmissões. Será uma sequência de lançamentos, várias novidades surpreendentes, a partir de 2019”, afirma Zarlenga, destacando que a GM completou 24 meses de liderança do mercado brasileiro em setembro. De acordo com o apurado por Autoesporte, a nova linha Onix e Prisma será lançada em 2019.

O executivo lembra ainda a nova estratégia global da GM determinada por Mary Barra no anúncio do dia 3: zero emissões, zero acidentes, zero consgestionamento de trânsito. “E nos próximos anos vamos ter mais de 20 lançamentos de veículos elétricos. Quando Barra esteve no Brasil, um mês atrás, deu um desafio para mim e para o time: somos o número um do mercado hoje, e vamos ter de liderar a eletrificação do carro no Mercosul. E isso não é ser o primeiro a ter um produto, é ser o dominante do segmento de eletrificação do Mercosul, que vai crescer e no futuro virar 100% da indústria”, afirma Zarlenga.

Atualmente, a marca conta com o compacto Chevrolet Bolt como seu principal veículo elétrico no mundo, embora ele não tenha data confirmada para ser vendido no Brasil.

Mercosul na era da eletrificação
O presidente da GM Mercosul reconhece que pode demorar, “mas no Mercosul não vai ser muito após o resto do mundo, porque essas tecnologias, quando são desenvolvidas, são de forma global, e é muito difícil manter uma tecnologia antiga se os desenvolvimentos globais vão para o outro lado”. Zarlenga prefere não prever datas, mas garante que haverá condições e investimento para “nossa missão de liderar a eletrificação: somos um grande participante no Mercosul, temos muita atividade fabril aqui, e por isso seria bem lógico termos esses modelos sendo fabricados aqui com volumes importantes. E quando a Mary dá um desafio, também dá os recursos e o apoio”, afirma.

Além da missão determinada por sua chefe, Zarlenga apoia o discurso otimista no que vê como grandes oportunidades para a GM no Mercosul: “É uma operação onde somos tremendamente bem sucedidos, e hoje, mesmo no ponto mais baixo da crise, temos a lucratividade da empresa em dia. É uma enorme plataforma de crescimento para o futuro, tanto de receita, de tamanho da empresa, como para novos produtos e novas tecnologias. Então eu diria que a missão da GM para o Mercosul está no centro do que queremos fazer globalmente como empresa”, diz.

O executivo diz que “ainda é cedo” para falar de produtos que estão no radar da GM Mercosul, como um inédito motor de três cilindros, um SUV compacto e uma nova picape, mas se anima ao comentar as perspectivas de tecnologias e novos modelos de uso do automóvel. O fato de o etanol ser visto como combutível sustentável e menos agressivo ao ambiente, rivalizando com o apelo de soluções como carros híbridos e elétricos, não representa um entrave para os planos de eletrificação da GM.

“A onda de desenvolvimento tecnológico que está vindo com a eletrificação e o veículo autônomo vai puxar a adoção de mercados como Argentina e Brasil, independentemente das circunstâncias. A eletrificação vai acontecer, é inexorável, e essas partes do mundo têm muito a se beneficiar com essas tecnologias. É um pouco o anúncio que a Mary Barra fez, esta semana, da missão de a GM acreditar no mundo totalmente elétrico, sem emissões, sem congestionamento, é uma bandeira para o futuro de nossa empresa. Não estamos presos no passado, estamos olhando para o futuro”, afirma Zarlenga.

Novos negócios
No início de 2016, a GM investiu forte na Lyft e fez uma aliança com a empresa para desenvolvimento de carros compartilhados e autônomos. Criou nos EUA o programa Maven de compartilhamento de carros, que já funciona experimentalmente no Brasil. Zarlenga, porém, afirma que o desafio de Mary Barra de um futuro com menos congestionamentos e o compartilhamento não entram em conflito com o propósito histórico da indústria automobilística, fazer carros.

“Temos essa parceria com a Lyft que é de extremo valor para nós, e temos nossa própria marca de compartilhamento, a Maven, e vamos expandir fora da GM. Vamos participar da receita do quilômetro percorrido, não necessariamente do produto vendido. Uma oportunidade de crescimento de receita exponencial. E ao mesmo tempo as tecnologias necessárias para a eletrificação e automação não são tão simples de desenvolver, requerem grandes investimentos, conhecimento técnico e a força que empresas como a nossa tem. Então vejo que há uma enorme oportunidade para nós competir e ganhar nesse segmento”.

Zarlenga não se absteve de uma ligeira alfinetada na concorrência. “Não estamos olhando o que está acontecendo, estamos fazendo acontecer. Somos os primeiros a fazer a disrupção do negócio, eu diria com muito mais velocidade e força que alguns dos concorrentes de fora da indústria que se tem dado o título de disruptores. E o que Mary Barra fez foi começar a compartilhar externamente aquilo que a gente já vem trabalhando há vários anos. Só que não queríamos fazer apenas um anúncio de imprensa, queríamos falar de desenvolvimento, por isso prever 20 lançamentos de elétricos nos próximos anos é um anúncio bastante forte”.

Por: Marcus Vinicius Gasques
Fonte: Revista Auto Esporte

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