Caoa Chery promete fazer carro elétrico nacional até 2022

Carlos Alberto de Oliveira Andrade, 77 anos, cujas iniciais formam o acrônimo do Grupo Caoa, é um executivo e médico paraibano que cresceu no mercado automotivo de forma inusitada: quis comprar um Ford Landau, em 1979, em Campina Grande (PB). Se desentendeu com o dono da concessionária local em razão dos seguidos atrasados na entrega. A empresa estava mal e acabou por falir. Ele então comprou a concessionária em troca da dívida. Assim começou a crescer no ramo até se tornar o maior distribuidor da marca no Brasil, em 2006. Quase 40 anos após início improvável, promete fazer primeiro carro elétrico nacional. Será que entrega?

Ao conversar com exclusividade com UOL Carros, neste fim de semana, Andrade desmentiu boatos e revelou planos sobre acordo com a Chery, situação atual com a Hyundai e sobre ações tão audaciosas quanto suas primeiras incursões no segmento.

Sua decisão mais arrojada foi comprar 50% do negócio da Chery no Brasil, incluindo a fábrica de Jacareí (SP) e a responsabilidade total pela produção, comercialização e importação da marcha chinesa, depois de uma primeira tentativa sem sucesso em março de 2016.

Rumores circularam com insistência no mercado e davam conta de que o surgimento da Caoa Chery seria um movimento do grupo brasileiro de contrabalanço ao iminente fim do seu contrato com a Hyundai para importação e produção nacional de alguns modelos.

Que não desmentiu outro rumor, talvez ainda mais audacioso, pelo contrário: confirmou estar projetando um carro brasileiro e elétrico. “Posso adiantar a você que o projeto está previsto para lançamento em 2021 ou 2022”, afirmou Andrade.

“Fruto de esforço entre o departamento de Engenharia da Caoa e a alemã Edag, poderei realizar o que sempre foi um dos meus maiores sonhos: construir uma marca 100% brasileira. Senti que a Chery tem posição bem aberta de colaborar em todos os meus projetos, inclusive este”, explicou.

“Por outro lado, conseguimos compreensão e sucesso ao negociar com o sindicato de trabalhadores em Jacareí (fábrica da Chery aberta no Vale do Paraíba/SP), o que sempre foi tarefa espinhosa para os chineses”, revelou.

Chery quer manter promessas e dar sete anos de garantia
Andrade garantiu que promessas da Chery original serão mantidas, mas com rearranjo de datas para que tudo possa ser trabalhado pela nova Caoa Chery.

“Há ações, de imediato, na marca Chery. Tivemos que postergar para Março o lançamento do Tiggo 2, previsto para Outubro último”, confirmou. O crossover foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2016. Além dele, “outros modelos estão nos planos”, disse de forma mais velada.

Andrade prefere atentar a cuidados logísticos e operacionais da marca chinesa, que precisam ser reforçados. Um ponto que deve fazer barulho é a possibilidade de ofertar sete anos de garantia, o que seria um recorde para o segmento.

“Serão feitos ajustes com fornecedores, rearranjo dos itens das versões e não descarto oferecer a inédita, no mercado brasileiro, garantia de sete anos para este modelo”, revelou. “A rede de concessionárias será ampliada. Alguns pontos da Hyundai com excessiva proximidade, em praças como Curitiba e Belo Horizonte, podem migrar para a Chery”, acrescentou ainda.

Andrade é um personagem às vezes polêmico, mas ninguém duvida de sua sagacidade. Ele termina essa parte da conversa com uma frase que explicita seu espírito de negociante ferino: “Valorizo muito aqueles que me dão mais apoio e na hora certa”.

Por: Fernando Calmon
Fonte: UOL Carros

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