BMW i3 2018 chega em junho e mais caro, por atraso do Planalto

Mais eficiente, novo modelo do elétrico poderia até custar mais barato que o atual.

Está agendada para junho a chegada da linha 2018 do elétrico BMW i3 ao país. De acordo com o presidente da BMW do Brasil, Helder Boavida, apenas a versão i3 Rex (considerado híbrido para o cálculo de imposto, por usar motor a gasolina para ampliar a autonomia do conjunto elétrico) estará disponível a princípio.

As variantes i3 básica (totalmente elétrica) e i3S (mais potente, com visual esportivo e capaz de fazer o 0-100 em 6,8 segundos) não vão desembarcar por ora.

O i3 já não era comercializado aqui desde meados de 2017, após dois anos de vida e aproximadamente 160 unidades comercializadas no país. Preços desse novo i3 ainda não foram definidos, mas o gerente de veículos elétricos Henrique Miranda antecipa que “muito dificilmente” o novo i3 vai custar os R$ 160 mil promocionais que eram cobrados pelo carro quando ele saiu de linha – anteriormente, com preço cheio, chegou a custar R$ 236 mil.

Tudo por conta da indefinição do governo federal sobre o anúncio do “Rota 2030”: com o impasse entre Ministérios da Fazenda e da Indústria e Comércio sobre a forma como incentivos de até R$ 1,5 bilhão serão dados, tendo como contrapartida investimentos de até R$ 5 bilhões por parte das fabricantes, planos para modelos mais eficientes, bem como carros híbridos e elétricos, ficam prejudicados de forma colateral.

Afinal, fabricantes não sabem quanto pagarão de imposto e carros eletrificados acabam sendo mais caros do que modelos convencionais equivalentes, inviabilizando investimento neste tipo de modelo.

Mais eficiente, só que mais caro pelo imposto
Como principal mudança, além da cor “azul Imperial” e discretas alterações no visual, o novo i3 traz e bateria de maior capacidade, saltando dos atuais 22 kWh (e até 160 km de autonomia) para de 33 kWh, capaz de autonomia de até 230 km sem o uso do extensor (que é um motor 0.6 a gasolina).

Henrique Miranda explica que a escolha pela versão com extensor de autonomia para nosso mercado se dá, basicamente, pela questão do imposto e pela falta de estrutura de carga. Como o i3 Rex é considerado um híbrido na questão fiscal, recolhia anteriormente 4% de Imposto de Importação, 7% de IPI (o mesmo que um modelo puramente a gasolina) e poderia ter parte do IPVA abatido em alguns locais do Brasil. Com novas baterias e tecnologias, o modelo 2018 poderia até recolher menos Imposto de Importação, mas de resto seguirá mantendo as mesmas alíquotas e terá de ficar com valor mais salgado.

Assim, apesar da alta demanda, inicialmente serão importadas apenas dez unidades e novos pedidos serão feitos à medida da procura. “Não queremos manter estoque”.

Já o i3 “elétrico puro” estaria isento do Imposto de Importação e poderia até ser mais barato que o i3 Rex, só que se viesse atualmente recolheria 25% cheios de IPI, tanto quanto carros esportivos. E isso impede a importação até mais que o peso do câmbio de dólar e euro frente ao real: segundo o presidente da BMW do Brasil, não há planos “para já” de reajustar a tabela de cotação dos carros vendidos no país, ainda que admita que isso pode afetar os preços ou diminuir a rentabilidade a longo prazo.

Sendo assim, fica tudo na conta do “Rota 2030”: espera-se que traga uma regra comum para carros elétricos e híbridos, com IPI na faixa dos 7%, mas isso é só promessa no momento.

“Precisamos ver como ficará a situação do IPI para elétricos, esperamos que baixe PARA 7%, conforme está no plano do ‘Rota 2030’. Mas temos de avaliar depois que as regras saírem. E, quando saírem, deverão levar um ano para serem completamente implementadas”, disse Boavida, confirmando indicação de Miranda.

O executivo português afirmou ainda que a BMW tem planos que vão além do i3: “Temos possibilidade de trazer mais híbridos que a marca tem, como o Série 5, que está sendo lançado lá fora, ou o Mini elétrico de nova geração”, apontou Boavida. “Há vários modelos no radar para lançar no país, mas temos de saber concretamente o que o ‘Rota’ traz para ter definições do que trazer”.

Em dezembro, Boavida havia alertado que investimentos poderiam desaparecer, colocando fábricas em risco, caso o governo mantenha a indefinição.

[Por: Alessandro Reis | Fonte: UOL Carros]

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