Tesla vende tantos elétricos que ameaça Audi, BMW e Mercedes

À frente de todos os rivais tradicionais no país norte-americano, montadora comercializou 83.500 elétricos no mundo em 2018.

A substituição dos carros com motores à combustão por veículos elétricos já acontece há anos. A mudança acontece rápido e não apenas em um nicho de mercado, mas por toda a parte. Essa ruptura deixou de ser uma aposta no futuro e se tornou realidade para muitos consumidores.

Dentro desse contexto, quem mais se destaca é a fabricante Tesla, que somente no terceiro trimestre de 2018 entregou 83.500 veículos elétricos pelo mundo (a montadora não divulga vendas por mercado, apenas em esfera mundial). Deste total, o sedã de acesso Model 3 é o carro chefe com 55.840 unidades comercializadas. O sedã grande Model S vem em segundo no ranking, com 14.470 exemplares vendidos. Enquanto o crossover Model X emplacou 13.190 unidades (fonte: Statista).

O cenário é ainda mais promissor para a Tesla se considerarmos apenas o mês de agosto nos Estados Unidos. Neste caso, segundo a consultoria Clean Technica, a fabricante californiana vendeu 17 mil carros e se tornou a líder entre as marcas de luxo por lá.

Mais do que os 9.734 veículos Série 2, 3, 4 e 5 da BMW, do que os 8.724 modelos Audi A3, A4, A5 e A6, e do que os 7.953 carros Mercedes-Benz Classe C, CLA, CLS e Classe E. Estamos falando de modelos a combustão, com raros exemplares híbridos.

A contrapartida desses números de vendas positivos da Tesla é o fato da montadora ainda não ter conseguido ganhar dinheiro com a fabricação dos carros elétricos. A lucratividade e capacidade de produção estão sempre em questão.

Ainda assim, as apostas na empresa criada por Elon Musk são altas nos EUA e em outros lugares do mundo. Isso porque, só em 2017, a Tesla vendeu mais Model S na Europa do que a Mercedes vendeu o Classe S, ou do que a BMW e seu Série 7.

Desde o escândalo da fraude de emissões da Volkswagen, em 2015, e da ascensão da Tesla como fabricante de carros elétricos, os fabricantes alemães Audi, BMW e Mercedes-Benz fizeram dos veículos elétricos uma grande prioridade. Segundo o site Handelsblatt, juntos, a trinca de montadoras germânica investirá cerca de 40 bilhões de euros, algo como R$ 173 bilhões, nos próximos três anos para lançar elétricos que possam competir com o Model S da Tesla, o SUV Model X e o Model 3.

Ou seja, se atualmente a Tesla está levando vantagem na batalha entre os elétricos e os veículos de luxo a combustão, as marcas tradicionais não estão dispostas a ceder terreno. Além das alemães, a Jaguar já tem uma divisão de elétricos (com o bem-sucedido I-Pace) e a Volvo também vai se eletrificar.

A Audi será a primeira marca a desafiar a Tesla. Depois de revelar e-tron em San Francisco, a fabricante começará a vendê-lo até o final deste ano. O elétrico usa um chassi de SUV convencional e terá um alcance de 400 quilômetros. O e-tron será vendido por 80 mil euros, algo como R$ 345 mil, na Alemanha. Bem mais do que o Tesla Model X, oferecido no mesmo país por R$ 309 mil.

A Mercedes-Benz, por sua vez, apresentou no início deste mês em Estocolmo, na Suécia, o seu primeiro utilitário movido totalmente à eletricidade, o EQC. O SUV com design futurista é o primeiro de uma série de elétricos que farão parte da linha EQ. Ele conta com dois motores elétricos que juntos compõem 408 cv e 78 kgfm. A força é capaz de leva-lo aos 100 km/h em 5,1 segundos. Sua bateria de 80 kWh garante uma autonomia de 450 quilômetros, podendo passar dos 10% de carga para 80% em apenas 40 minutos.

Quem levará mais tempo para trazer seu novo elétrico ao mercado é a BMW, com o iNext.
O modelo só entrará em produção em 2021. O carro deve ter um alcance de 700 quilômetros. Lembrando que a montadora bávara começará a vender uma versão elétrica do Mini em 2019, e depois o X3 elétrico em 2020, mas esses carros ainda não são vistos como um grande avanço no segmento eletrificado. De qualquer forma, a BMW ainda tem os estabelecidos i3 e i8.

Isso porque a Tesla constrói seus carros em uma linha de produção especificamente projetada para veículos elétricos. Ao passo que os europeus fabricam seus elétricos em plataformas projetadas para automóveis movidos a gasolina e a diesel. Ainda segundo o site Handelsblatt, alguns especialistas defendem que um produto inovador e que seja à altura de peitar os carros fabricados por Elon Musk não deverão ser criados dessa maneira tradicional.

Eles alegam que os primeiros carros elétricos na Alemanha serão apenas compromissos muito caros entre o velho e o novo mundo. Parece que durante essa transição, a Tesla continuará mesmo à frente de todo mundo, olhando pelo retrovisor seus concorrentes se desdobrando para se verem livres das emissões de CO2.

Por: Alexandre Izo
Fonte: Revista Auto Esporte

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